O Carnaval é uma das maiores manifestações culturais do Brasil, símbolo de alegria, diversidade e liberdade. No entanto, essa liberdade não pode e não deve ser usada como desculpa para o assédio. Todos os anos, milhares de pessoas, principalmente mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e jovens, relatam situações de constrangimento, toques sem consentimento, beijos forçados, perseguições e violência em meio à folia. É preciso afirmar com todas as letras: assédio é crime, em qualquer lugar e em qualquer época do ano, inclusive no Carnaval.
A falsa ideia de que “no Carnaval tudo é permitido” alimenta comportamentos abusivos e perpetua uma cultura de violência. Fantasia, corpo, dança, sorriso ou consumo de bebida alcoólica não autorizam ninguém a invadir o espaço do outro. Consentimento não se presume, não se força e não se negocia. Se não houve um “sim” claro, livre e consciente, qualquer aproximação pode ser uma violência. Respeito não é exagero, é o mínimo.
O impacto do assédio vai além do momento vivido. Muitas vítimas deixam de frequentar festas, mudam rotas, evitam blocos e carregam medo e culpa que não deveriam existir. O Carnaval precisa ser um espaço onde todas as pessoas possam se expressar sem receio, sem tensão e sem precisar estar em alerta constante. Uma festa que exclui, machuca ou silencia não é democrática, é opressora.
O combate ao assédio não é responsabilidade apenas das vítimas ou das autoridades. Ele exige uma mudança de comportamento coletiva. Amigos devem intervir ao perceber situações suspeitas, homens precisam assumir um papel ativo de enfrentamento à violência, e testemunhas não podem se omitir. Ignorar também é permitir. Respeitar limites é uma atitude básica de convivência, não um favor.
Durante o Carnaval, haverá campanhas educativas, postos de acolhimento, equipes treinadas e canais de denúncia para apoiar quem sofrer qualquer tipo de violência. Denunciar não é “estragar a festa”, é proteger vidas. A vítima nunca é culpada, nunca exagera e nunca está sozinha. O agressor é o único responsável pelo crime que comete.
Um Carnaval verdadeiramente livre só existe quando todos podem brincar com segurança, dignidade e autonomia. Alegria não combina com medo, diversão não combina com violência. Respeito não é fantasia, não acaba na quarta-feira e não depende da roupa: é lei, é dever e é escolha diária.