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Terras raras colocam Brasil no radar dos EUA para parceria estratégica em mineração e refino

Os Estados Unidos passaram a tratar o Brasil como parceiro prioritário na produção, processamento e refino de minerais críticos, citando investimentos em terras raras em Goiás e defendendo acordos comerciais sólidos entre os dois países
Foto: REUTERS/David Becker

O governo dos Estados Unidos passou a considerar o Brasil um aliado estratégico no fornecimento de minerais críticos, insumos essenciais para setores como tecnologia, energia limpa, defesa e indústria automotiva. A avaliação foi feita nesta quarta-feira pelo secretário adjunto de Estado americano para Assuntos Econômicos, Energéticos e Empresariais, Caleb Orr.

De acordo com o representante de Washington, há interesse em apoiar financeiramente projetos de mineração em diversas regiões do país, incluindo etapas além da extração, como o processamento e o refino dos minérios. Segundo ele, a proposta é fortalecer cadeias de suprimento mais seguras, diversificadas e menos dependentes de poucos fornecedores globais.

Orr destacou dois empreendimentos em Goiás voltados à produção de terras raras: Serra Verde e Clara. No caso da Serra Verde, a Corporação Financeira para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC) estuda aportar cerca de US$ 565 milhões para impulsionar o projeto.

Para o secretário, o Brasil possui um papel promissor no cenário global por concentrar reservas relevantes, especialmente de terras raras, além de outros minerais estratégicos. Ele defendeu um modelo de cooperação em que todos os lados saiam ganhando, principalmente no processamento e refino, etapas ainda mais concentradas mundialmente do que a própria mineração.

Segundo Orr, a estratégia americana é incentivar que essas fases da cadeia produtiva aconteçam em países economicamente viáveis, dentro de uma lógica de descentralização da produção global, reduzindo riscos de dependência excessiva.

Questionado sobre possíveis contrapartidas brasileiras, o secretário afirmou que o objetivo é avançar para um acordo comercial consistente, que inclua o tema dos minerais críticos. Embora tenha evitado antecipar decisões para o encontro previsto entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, marcado para o próximo mês em Washington, lembrou que Trump já sinalizou interesse em rever tarifas comerciais a partir de entendimentos nesse setor.

O representante dos EUA também elogiou a participação do Brasil na reunião ministerial sobre minerais críticos realizada recentemente na capital americana, organizada pelo secretário de Estado Marco Rubio. Para ele, a presença brasileira foi interpretada como um gesto positivo de aproximação e aprofundamento das relações bilaterais.

O encontro reuniu delegações de 54 países, além da União Europeia, com o objetivo de debater alternativas para diversificar cadeias de suprimentos e reduzir vulnerabilidades externas. Orr ressaltou que o continente americano ocupa posição central na segurança das cadeias globais, principalmente no fornecimento de lítio, cobre e terras raras.

Países como Argentina, Brasil, Bolívia, Canadá, República Dominicana, Equador, México, Paraguai e Peru participaram das discussões. Segundo Orr, as parcerias buscam estimular cadeias produtivas mais transparentes, geração de empregos e investimentos em infraestrutura estratégica, oferecendo alternativas a fornecedores considerados pouco confiáveis.

Atualmente, os Estados Unidos já firmaram acordos-quadro com Argentina, Paraguai, Equador e Peru e lançaram a iniciativa Forge (Fórum de Engajamento Geoestratégico em Recursos), que prevê projetos estimados em cerca de US$ 30 bilhões para fortalecer cadeias de suprimento e atrair investimentos. O secretário fez questão de destacar que a iniciativa não é uma resposta direta à China.

Ao comentar o acordo firmado com a Argentina, Orr afirmou que o instrumento cria bases amplas de cooperação e pode ajudar o país vizinho a aproveitar o atual momento de valorização do cobre no mercado internacional. Segundo ele, parcerias entre governos e investidores internacionais podem dar mais estabilidade aos projetos e reduzir riscos de volatilidade excessiva.

Minerais críticos são considerados estratégicos por estarem presentes em cadeias produtivas essenciais e, muitas vezes, concentrados em poucos países. Entre eles estão o lítio, o cobre e as terras raras, amplamente utilizados na produção de baterias para veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e tecnologias ligadas à inteligência artificial.

As etapas de processamento e refino são vistas como pontos sensíveis da cadeia global, já que a oferta é ainda mais concentrada do que a mineração em si, aumentando o risco de dependência externa. O governo brasileiro defende que o país não seja apenas exportador de matéria-prima e busca atrair investimentos para agregar valor à produção.

Com reservas expressivas e uma base industrial diversificada, o Brasil é apontado como um ator relevante no cenário global. Segundo integrantes do governo, o país reúne condições não apenas para extrair os minerais, mas também para avançar no processamento e no refino, fortalecendo sua posição na cadeia internacional de valor.

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