O governo federal acendeu um alerta sobre o risco de escassez de carne bovina no mercado interno e avalia medidas para frear as exportações para a China, principal destino da proteína brasileira. A preocupação é evitar desequilíbrios na oferta e possíveis altas de preços ao consumidor diante do ritmo acelerado dos embarques ao exterior.
A discussão ganhou força após a China adotar um novo regime de controle para importações de carne bovina, com a definição de cotas anuais e a aplicação de tarifas adicionais sobre volumes que ultrapassem os limites estabelecidos. Como o Brasil é o maior fornecedor do produto ao mercado chinês, há receio de que o teto seja atingido rapidamente, o que poderia gerar instabilidade tanto para exportadores quanto para o abastecimento interno.
Diante desse cenário, o Ministério da Agricultura, em conjunto com outros órgãos do governo, estuda a criação de mecanismos de controle das exportações, como a distribuição de cotas entre frigoríficos e o escalonamento dos embarques ao longo do ano. A intenção é evitar uma corrida por exportações concentradas em poucos meses e preservar a oferta de carne no país.
Autoridades do setor avaliam que, sem algum tipo de regulação, o mercado interno pode sofrer com redução da disponibilidade de carne bovina e consequente pressão sobre os preços. O governo também analisa alternativas para diversificar mercados e reduzir a dependência das vendas para a China, mantendo o equilíbrio entre exportações e consumo doméstico.
A China responde por uma parcela significativa das exportações brasileiras de carne bovina e tem papel estratégico para o agronegócio nacional. No entanto, o novo contexto internacional exige ajustes na política comercial para garantir segurança alimentar, estabilidade de preços e sustentabilidade do setor pecuário brasileiro.