Após quase oito anos do crime que chocou o país, teve início o julgamento dos acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. O processo ocorre no Supremo Tribunal Federal e é considerado um marco na luta contra a impunidade em crimes políticos no Brasil.
O julgamento analisa a responsabilidade dos réus acusados de planejar e ordenar o assassinato, ocorrido em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. Entre os denunciados estão políticos e ex-integrantes das forças de segurança, apontados como articuladores do crime. Todos negam as acusações. Os executores do homicídio já foram condenados em processos anteriores.
A ação penal é julgada pela Primeira Turma do STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O julgamento prevê sessões para apresentação das acusações, manifestações das defesas e análise das provas reunidas ao longo da investigação, que se estendeu por anos devido à complexidade do caso e ao envolvimento de investigados com foro privilegiado.
Marielle Franco era conhecida por sua atuação em defesa dos direitos humanos, das mulheres, da população negra e das comunidades periféricas. O crime teve repercussão internacional e se tornou símbolo da violência política no país, gerando mobilizações no Brasil e no exterior por justiça e esclarecimento dos fatos.
Familiares, movimentos sociais e entidades de direitos humanos acompanham o julgamento com expectativa de que o processo represente um avanço institucional no combate à violência política e às organizações criminosas, além de reforçar a proteção a defensores de direitos humanos e agentes públicos ameaçados.