Seu silêncio grita em momento que o caos está instalado e produtores em desespero bloqueiam estradas; tem reuniões ministeriais com governadores e produtores derrubam plantações maduras em pânico.
O chocolate brasileiro evoluiu.
Marcas como a Dengo elevaram o padrão de qualidade, experiência e rastreabilidade. O discurso de origem ganhou sofisticação. O consumidor passou a enxergar território, produtor e floresta no produto final.
Também é inegável a influência construída por Guilherme Leal ao longo de sua trajetória empresarial e socioambiental. Redes articuladas por instituições como o Instituto Arapyaú ajudaram a estruturar agendas de regeneração, inovação e governança territorial, conectando organizações como Fundação Taboa, ADR Sul da Bahia, Floresta Viva e o CIC – Centro de Inovação do Cacau.
Há méritos reais nessa construção.
Mas há também uma base produtiva que sustenta tudo isso — e que hoje vive tensão.
O outro lado da cadeia.
O chamado cacau fino representa uma parcela menor do volume nacional.
O bulk responde pela maior parte da produção.
É esse produtor que:
Mantém sistemas tradicionais como a cabruca
Preserva floresta há décadas
Cumpre legislação ambiental
Gera emprego em escala
Sustenta a economia regional
Ele não é antagonista da agenda ambiental.
Ele é parte estrutural dela.
Sem o produtor, não existe narrativa de origem
Sem renda, não existe floresta preservada.
O momento exige presença
O setor atravessa volatilidade internacional, pressão comercial e insegurança na formação de preços. Pequenos produtores enfrentam instabilidade e dificuldade de planejamento.
Nesse cenário, liderança não é apenas discurso institucional.
É posicionamento claro.
Não se trata de acusar.
Não se trata de imputar irregularidades.
Trata-se de reconhecer que há inquietação legítima na base produtiva e que o debate sobre equilíbrio econômico da cadeia precisa ser público e transparente.
Influência amplia responsabilidade.
Quando há questionamentos estruturais sobre o funcionamento do mercado, quando produtores pedem previsibilidade, quando o ambiente se torna socialmente sensível, o silêncio também comunica.
Sustentabilidade é tripé :
Ambiental.
Social.
Econômica.
Sem sustentabilidade econômica do produtor, a agenda ambiental perde sustentação prática.
A floresta depende do produtor.
A narrativa depende da floresta.
Mas o produtor depende de preço justo e previsibilidade.
Esse chamado ao Sr. Guilherme Leal significa apenas um momento de construção.
O setor precisa de diálogo amplo.
Precisa de convergência entre indústria e campo.
Precisa de liderança que abrace a base produtiva com a mesma intensidade com que abraça a agenda ambiental.
O produtor quer participar da solução.
Quer previsibilidade.
Quer reconhecimento do seu papel estrutural.
A história registra quem lidera em momentos confortáveis.
Mas registra, principalmente, quem assume posição em momentos difíceis.
Porque, neste momento da cadeia cacaueira brasileira,seu silêncio grita.