Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
post

Entrevista Professor Durval Líbano – ” caos no cacau “.

Resumo da entrevista do Professor e produtor Durval Libânio à FM Vitória (04/02/2026) sobre momento do cacau. Contexto e crise do cacau : Durval destacou que a cadeia de valor do cacau no Brasil é tratada de forma desigual em relação a outras lavouras, como café e soja. Falta transparência sobre estoques internos das indústrias […]

Resumo da entrevista do Professor e produtor Durval Libânio à FM Vitória (04/02/2026) sobre momento do cacau.

Contexto e crise do cacau :

Durval destacou que a cadeia de valor do cacau no Brasil é tratada de forma desigual em relação a outras lavouras, como café e soja.

Falta transparência sobre estoques internos das indústrias de chocolate, o que gera deságio constante para os produtores (R$ 100 a R$ 120 por arroba).

A queda na demanda e a importação excessiva de cacau africano contribuem para a baixa dos preços.

. Papel das indústrias e chocolateiras

Segundo Durval, a maior parte da culpa da retração da demanda não é das moageiras, mas das grandes chocolateiras, que substituem manteiga de cacau por óleos vegetais mais baratos ou subprodutos, aproveitando a legislação brasileira pouco restritiva.

Isso gera rejeição de algumas marcas pelo consumidor e prejudica a valorização do cacau brasileiro. Três multinacionais dominam 95% da compra e moagem de cacau, e duas multinacionais detêm 70% do mercado de chocolate em barra.

3. Participação do produtor :

O produtor brasileiro participa com apenas 5 a 7% da cadeia, enquanto outras culturas, como carne, algodão e soja, têm participação muito maior. Mesmo com preço de R$ 1.000 a arroba, o produtor chega a apenas 14% da cadeia.

4. Crise estrutural e conjuntural :

Durval define a situação atual como estrutura + conjuntura: estrutural, por décadas de políticas públicas inadequadas, ausência de crédito, seguro agrícola e regulamentação; conjuntural, pelo impacto da recente alta de preços, aumento de investimento pelos produtores e melhorias em pós-colheita. Comparado ao período pós-vassoura-de-bruxa, hoje há tecnologia e biotecnologia disponíveis, mas a crise estrutural ainda domina.

5. Tecnologia, mão de obra e oportunidades :

A região enfrenta escassez de mão de obra qualificada, mas tecnologias como drones, bioinsumos “on farm” e robôs podem aumentar produtividade. Há potencial para o uso integral do fruto do cacau, incluindo casca e subprodutos, para alimentos e bioinsumos, agregando valor e sustentabilidade.

6. Importações, legislação e concentração de mercado :

As Instruções normativas (IN 125 e IN 135) flexibilizaram importações de cacau africano, reduzindo custos para a indústria e desvalorizando o cacau nacional. Falta fiscalização adequada de riscos fitossanitários, e a Câmara Setorial do Cacau está desproporcionalmente dominada pela indústria. Durval também alertou para sinais de cartel ou conluio, dado o excesso de importações e baixa concorrência.

Perguntas e respostas literais mais relevantes :

Sobre a situação atual da cacauicultura brasileira:

FM Vitória : “Como que o senhor define esse momento atual da cacauicultura brasileira? Nós estamos aí diante de uma crise conjuntural ou até mesmo estrutural, vamos dizer assim?

Durval:

“Olha, nós vivemos uma crise estrutural há muitos anos a cacauicultura brasileira, ela está fora de todas as políticas do agronegócio… Então, isso é estrutural, certo? A crise é conjuntural, ela se dá em função dos recentes preços de cacau, onde você teve, digamos assim, um reânimo do produtor de cacau, onde as pessoas voltaram a investir, começaram a recuperar suas propriedades, acreditaram novamente no cacau como um negócio viável…”

2. Sobre a participação do produtor na cadeia:

Durval:

“Mesmo com o preço de R$ 1.000,00 a arroba, ainda estávamos com uma participação de 14%. Se você colocar 1 kg de cacau a R$ 60,00, que daria R$ 900,00 a arroba, você tá falando de 4 kg de chocolate. Quanto custa 4 kg de chocolate? R$ 150,00, se for o tabletezinho, até R$ 300,00. Então, 4 kg de chocolate custa R$ 600,00. R$ 60,00 o quilo de cacau é quantos por cento? 10%. Estamos falando de uma participação de 10% na cadeia. Comparando com outros agronegócios, é muito pouco.”

3. Sobre a legislação e formulações do chocolate:

Durval: “A legislação brasileira é extremamente genérica, que fala apenas de 25% para se chamar chocolate, 25% de sólidos totais de cacau para se chamar chocolate, porém não prevê quanto de manteiga, quanto de pó, quanto de massa de cacau. E ainda há quem utilize alguns subprodutos, como sibira, etc., para justificar que tem 25% de sólidos totais de cacau.”

4. Sobre importações e flexibilidade da indústria:

Durval: “Não somos deficitários em termos de suprir o mercado interno. Aquilo que nós produzimos de cacau é praticamente aquilo que nós consumimos. Somos deficitários apenas para suprir o parque moageiro instalado, a capacidade de moagem das indústrias. Se essas indústrias resolverem crescer essa capacidade, sempre vamos ser deficitários. Esse discurso de déficit não é verdade.”

5. Sobre a possibilidade de cartel:

Durval: “Não posso acusar sem provas, mas pelo meu conhecimento das leis de oferta e procura, tudo indica que é uma coisa combinada. Não existe competição entre elas? Todas estão com excesso de cacau? Existe transparência nesse estoque que elas têm? Existe uma coisa chamada supply chain, como está a cadeia de suprimento? Realmente eles estão importando aquilo que é estritamente necessário? Não há transparência.”

Notícias Mais Lidas

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
post