Dormir mal uma noite acontece com todos nós. Mas quando a dificuldade para dormir se torna frequente, persistente e passa a comprometer o dia a dia, estamos diante de um problema sério: a insônia crônica.
Atualmente, estima-se que cerca de 30% dos adultos apresentem algum grau de insônia, e aproximadamente 10% sofrem da forma crônica, com impacto direto na saúde física, mental e cardiovascular.
O que é insônia crônica?
A insônia crônica é caracterizada por dificuldade para iniciar ou manter o sono ou despertar precoce por pelo menos três noites por semana, durante três meses ou mais, associada a prejuízo no qualidade do dia.
Não é apenas demorar para iniciar o sono. É acordar cansado, irritado, com dificuldade de concentração e sensação constante de exaustão.
Insônia e doenças do coração: uma ligação perigosa
Dados científicos atuais demonstram que dormir mal aumenta o risco cardiovascular. Estudos populacionais mostram que pessoas com insônia crônica apresentam:
- até 45% mais risco de desenvolver hipertensão arterial
- Maior incidência de infarto e AVC
- Aumento de arritmias cardíacas
- Elevação de marcadores inflamatórios
- Piora do controle da glicose e do colesterol
A privação de sono mantém o organismo em estado de alerta contínuo, com liberação excessiva de cortisol e adrenalina. Isso acelera os batimentos cardíacos, eleva a pressão arterial e impede o descanso adequado do sistema cardiovascular.
Quando não dorme, aumenta o risco de adoecer.
Insônia e saúde mental: uma via de mão dupla
A relação entre insônia e saúde mental é bidirecional. Pessoas com insônia crônica têm:
- até 2 vezes mais risco de desenvolver depressão
- Maior prevalência de ansiedade
- Irritabilidade, perda de memória e dificuldade de foco
- Redução da produtividade e do rendimento profissional
Ao mesmo tempo, ansiedade e depressão pioram o sono, criando um ciclo vicioso difícil de romper sem tratamento adequado.
Um problema de saúde pública silencioso
A insônia crônica não afeta apenas o indivíduo. Ela está associada a:
- Aumento do risco de acidentes de trânsito e trabalho
- Queda da produtividade
- Maior absenteísmo
- Uso excessivo de medicações sedativas
É um problema comum, subestimado e frequentemente normalizado, quando na verdade, necessita atenção médica.
O papel da Medicina do Estilo de Vida
A boa notícia é que a maioria dos casos de insônia crônica pode ser tratada sem medicamentos como primeira linha.
A Medicina do Estilo de Vida atua em pilares fundamentais:
- Higiene do sono
- Redução do uso de telas à noite
- Rotina regular de horários
- Atividade física regular
- Controle do estresse
- Técnicas de relaxamento e respiração
- Alimentação adequada
Quando necessário, o tratamento medicamentoso pode ser indicado, sempre como parte de uma estratégia global e com orientação médica.
Conclusão
Dormir mal não é normal. Acordar cansado todos os dias também não. Muito menos viver exausto.
A insônia crônica aumenta o risco de doenças cardíacas, compromete a saúde mental e reduz a qualidade de vida.
Cuidar do sono é prevenção cardiovascular, equilíbrio emocional e investimento em longevidade.