O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) realizou uma grande operação de segurança que culminou na transferência de chefes do Comando Vermelho (CV) para presídios federais de segurança máxima em diferentes regiões do país. A medida foi tomada após investigações apontarem que, mesmo atrás das grades, os líderes da facção continuavam ordenando crimes, movimentando dinheiro e controlando territórios em diversos estados.
A ação, planejada em sigilo, contou com o apoio da Polícia Federal (PF), da Força Penal Federal (FPF) e de secretarias estaduais de segurança. Os criminosos foram removidos sob forte esquema de escolta aérea e terrestre, com rotas e horários mantidos em sigilo absoluto.
A operação e os motivos das transferências
De acordo com fontes do Ministério da Justiça, as investigações mostraram que os chefes do Comando Vermelho mantinham contato frequente com comparsas em liberdade, utilizando celulares ilegais, advogados e familiares como intermediários. Mesmo presos em unidades estaduais, eles ordenavam execuções, coordenavam o tráfico de drogas, disputas por territórios e ataques a forças policiais.
O ministro da Justiça determinou a transferência imediata para interromper a comunicação entre os líderes e os demais membros da facção. A operação faz parte de uma estratégia nacional de enfraquecimento do crime organizado, voltada a romper as estruturas de comando dentro dos presídios estaduais, considerados o principal centro de decisões das facções criminosas no país.
A pasta também destacou que as transferências ocorrem de forma planejada e contínua, dentro de um programa de rotatividade prisional, que evita a consolidação de poder de líderes dentro de uma única unidade.
Destino: presídios federais de segurança máxima
Os detentos foram levados para presídios federais localizados nos estados de Rondônia (Porto Velho), Mato Grosso do Sul (Campo Grande), Rio Grande do Norte (Mossoró) e Paraná (Catanduvas).
Essas unidades são conhecidas pelo rigor extremo e isolamento total dos presos. Cada cela abriga apenas um detento, e o contato humano é mínimo. As visitas são monitoradas, as correspondências são revisadas e o uso de telefones é totalmente proibido.
O sistema federal adota um modelo de segurança de nível máximo, com vigilância 24 horas, câmeras em todos os corredores e agentes especialmente treinados. Cada interno tem direito a apenas duas horas de banho de sol por dia, em áreas isoladas, sem contato com outros presos.
Estratégia nacional contra o crime organizado
A transferência de lideranças do Comando Vermelho faz parte de um conjunto de ações integradas entre governos estaduais e o governo federal. A meta é enfraquecer as grandes facções, especialmente o Comando Vermelho, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a Família do Norte (FDN), que vêm disputando o controle do tráfico e de rotas de drogas em todo o Brasil.
As operações federais buscam impedir que os chefes, mesmo encarcerados, continuem movimentando dinheiro, enviando ordens e recrutando novos membros. Relatórios de inteligência apontam que, em alguns estados, as facções chegaram a manter um “governo paralelo” dentro dos presídios, impondo regras, punindo presos e até determinando ataques a forças de segurança.
Segundo o MJSP, as transferências para presídios federais já mostraram resultados positivos: nos estados onde as lideranças foram removidas, houve redução nos índices de ataques coordenados e queda na influência das facções sobre o sistema prisional local.
O poder e a expansão do Comando Vermelho
Fundado na década de 1970, o Comando Vermelho nasceu dentro do sistema prisional do Rio de Janeiro e, ao longo dos anos, se expandiu para praticamente todos os estados brasileiros. Hoje, é uma das maiores e mais violentas facções do país, com atuação em tráfico de drogas, armas e controle de comunidades.
A facção se consolidou como uma rede complexa, com hierarquia, divisão de funções e presença até em países vizinhos, como Bolívia e Paraguai, de onde vem parte da droga distribuída em território brasileiro. Em estados do Norte e Nordeste, o grupo mantém alianças com facções locais, o que amplia sua capacidade de articulação e influência.
O crescimento do CV preocupa as autoridades, pois demonstra que o sistema prisional brasileiro ainda é vulnerável à ação das facções, que transformam as penitenciárias em centros de comando criminoso.
Repercussão e medidas futuras
Após as transferências, o Ministério da Justiça informou que novas operações devem ocorrer nas próximas semanas e que o governo continuará monitorando o comportamento das lideranças removidas. As autoridades reforçaram que nenhum líder de facção permanecerá em presídios estaduais onde possa manter controle ou contato com o exterior.
Também está em andamento um plano nacional de bloqueio de sinal de celular em presídios estaduais e o reforço na inteligência penitenciária, com o uso de tecnologias de escuta, drones e monitoramento de comunicações suspeitas.
Especialistas em segurança pública avaliam que as medidas são fundamentais, mas destacam que é preciso investir também em reforma estrutural no sistema prisional, combate à corrupção entre agentes e políticas de prevenção ao recrutamento de jovens pelas facções.
Um passo importante, mas não o fim da guerra
A transferência dos chefes do Comando Vermelho para presídios federais representa um golpe importante contra o crime organizado, mas não encerra o problema. As facções continuam atuando de forma descentralizada, e a base das organizações ainda mantém contato com o exterior.
Autoridades federais reconhecem que o combate ao crime organizado é um trabalho contínuo, que exige integração entre os estados, investimento em inteligência e vigilância constante para evitar que novos líderes surjam e assumam o controle.
Mesmo assim, a operação é vista como uma vitória estratégica, demonstrando a capacidade do Estado de reagir e enfrentar as organizações criminosas com firmeza e planejamento.