Você já notou uma voz na sua cabeça comentando tudo o que faz? Às vezes ela te apoia; outras, te lembra dos erros — é a autocrítica negativa. Essa voz interna é formada por experiências, elogios, críticas e padrões aprendidos ao longo da vida. Em alguns momentos, ela funciona como incentivo; em outros, como um crítico duro.
Um estudo de 2021 da Scientific Reports mostrou que a autocrítica pode melhorar o desempenho ao aumentar atenção e foco, enquanto o autorrespeito melhora funções executivas, mas também gera falsa confiança. Ou seja, ambos têm papéis importantes: a autocrítica ajuda a manter os pés no chão e a motivação, enquanto o autorrespeito reforça crença em si mesmo. O desafio é equilibrar as duas vozes.
Outro estudo, de 2025 (BMC Psychology), identificou quatro tipos principais de críticos internos: o Preocupado, o que Não Sente, o que Nunca é Bom o Suficiente e o Eu Odiado. Pessoas que lidam bem com essa voz não tentam silenciá-la, mas respondem com autocompaixão e compreensão. O objetivo não é eliminar o crítico interno, mas mudar a relação com ele para que deixe de ferir e passe a orientar.
A autocrítica negativa só ajuda quando leva à autocorreção. Em excesso, cria sabotagem emocional e comportamental, afetando vida pessoal e profissional. Para lidar melhor com ela, o primeiro passo é desenvolver autoconsciência: perceber padrões, crenças e frases que se repetem. Escrevê-las e reconhecê-las como narrativas aprendidas ajuda a reformular esses pensamentos.
Em vez de tentar calar a voz crítica, é mais eficaz entender o que ela tenta proteger: medo de falhar, rejeição ou perda. A autocompaixão é essencial nesse processo. Quando você aprende a ouvir sem julgamento, transforma essa voz rígida em uma aliada que orienta seu crescimento.
No fim, sua mente tenta te proteger. Ao responder com compreensão, você faz da autocrítica uma ferramenta de evolução, não um obstáculo.