O desembargador Gesivaldo Nascimento Britto, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), morreu aos 79 anos, deixando um legado marcado por quase cinco décadas de atuação no sistema de Justiça baiano. A informação foi confirmada por pessoas próximas e por entidades da magistratura, que lamentaram a perda do jurista. Ele enfrentava problemas de saúde e estava internado nos últimos dias.
Formação e início da carreira
Natural da Bahia, Gesivaldo Britto formou-se em Direito no fim da década de 1970. Sua trajetória no serviço público começou logo depois, quando ingressou no Ministério Público estadual como promotor de Justiça. Atuou em diversas comarcas do interior, onde ganhou reconhecimento pelo trabalho próximo às comunidades e pela defesa de causas sociais.
A magistratura, no entanto, foi seu destino definitivo. No início dos anos 1980, Britto foi aprovado para o cargo de juiz e passou a atuar em cidades do interior antes de chegar à capital. Em Salvador, assumiu a 2ª Vara da Fazenda Pública, onde permaneceu por quase duas décadas. Sua atuação firme e seu conhecimento técnico contribuíram para que se tornasse um dos magistrados de maior projeção dentro do Tribunal de Justiça.
Ascensão ao Tribunal e promoção a desembargador
Em meados dos anos 2000, depois de uma trajetória marcada pela produtividade e pelo reconhecimento dos pares, ele foi promovido ao cargo de desembargador. No segundo grau, participou de câmaras importantes, analisou casos de grande relevância para o estado e integrou diversas comissões internas.
Colegas de tribunal frequentemente destacavam seu estilo conciliador, sua dedicação a questões administrativas e sua presença ativa em debates sobre o funcionamento do Judiciário baiano.
Presidência do Tribunal de Justiça
Gesivaldo Britto alcançou o ponto mais alto de sua carreira ao ser eleito presidente do Tribunal de Justiça da Bahia para o biênio 2018–2020. Ao assumir o cargo, anunciou como prioridade a modernização administrativa, a melhoria da prestação jurisdicional e a ampliação da estrutura de atendimento ao cidadão.
Durante sua gestão:
• Defendeu a realização de concursos para juízes e servidores, buscando reduzir a sobrecarga de trabalho nas comarcas.
• Incentivou o uso de novas tecnologias no Judiciário.
• Propôs medidas para dar mais eficiência aos cartórios e varas judiciais.
• Participou de articulações com o Conselho Nacional de Justiça para aprimorar índices de produtividade do tribunal.
Mesmo enfrentando dificuldades estruturais históricas do TJ-BA, Britto era visto por aliados como um gestor dedicado, que buscava fortalecer a imagem institucional do Judiciário baiano.
Afastamento e investigações
A carreira do desembargador, porém, também foi marcada por um episódio que ganhou repercussão nacional: seu envolvimento na Operação Faroeste, investigação que apurava a suposta venda de decisões judiciais relacionadas a disputas de terra no oeste da Bahia.
Durante a operação, ele foi afastado das funções por determinação judicial e passou a responder a processos tanto na esfera administrativa quanto na penal. Apesar das acusações, sempre negou irregularidades.
Com a chegada da aposentadoria compulsória ao completar 75 anos, deixou oficialmente a magistratura. Seus advogados sustentavam que o processo ainda não havia sido concluído e que ele aguardava o desfecho da investigação exercendo seu direito de defesa.
Últimos anos e falecimento
Nos últimos anos, Britto manteve uma vida mais reservada, afastado das atividades públicas. Sofria com problemas de saúde e passou a ser visto com menor frequência em eventos jurídicos. Sua morte encerra uma trajetória marcada por feitos importantes no Judiciário, mas também por controvérsias que ainda têm reflexos no cenário jurídico baiano.
A família deve divulgar detalhes sobre o velório e o sepultamento nas próximas horas. Diversos magistrados, servidores e instituições já manifestaram pesar e prestaram solidariedade aos parentes e amigos.
Legado
Gesivaldo Britto deixa:
• uma carreira de mais de 40 anos dedicados ao sistema de Justiça,
• uma gestão que buscou modernizar o Tribunal de Justiça da Bahia,
• contribuições relevantes para o debate jurídico no estado,
• e uma história que continuará sendo analisada à luz dos impactos da Operação Faroeste.
Sua morte encerra um ciclo importante na história recente do Judiciário baiano, marcado tanto por avanços institucionais quanto por desafios que se tornaram tema de repercussão nacional.