Entre 2015 e 2025, o planeta viveu a década mais quente já registrada. O período marcou uma escalada constante nas temperaturas globais, no aumento de eventos climáticos extremos e no avanço rápido dos impactos ambientais relacionados ao aquecimento global. Os dados mostram que as mudanças climáticas deixaram de ser previsão e passaram a ser uma realidade mensurável e visível em praticamente todas as regiões do mundo.
Temperaturas globais em alta constante
Desde 2015, todos os anos ficaram entre os mais quentes da história moderna. A temperatura média global aumentou de forma consistente, aproximando o planeta do limite crítico de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, marco considerado pela ciência como ponto de risco para impactos irreversíveis.
• 2015: marcou o início de uma tendência forte de aquecimento, influenciada por um El Niño intenso.
• 2016: se tornou, até então, o ano mais quente desde o início das medições.
• 2019–2020: continuaram entre os anos mais quentes do século, com recordes no Ártico.
• 2023: registrou temperaturas médias globais inéditas, com ondas de calor históricas em todos os continentes.
• 2024 e 2025: seguem dentro da curva de aquecimento acelerado, impulsionadas pela combinação entre mudanças climáticas e novos ciclos de El Niño.
Degelo acelerado e aumento do nível do mar
Entre 2015 e 2025, o derretimento de gelo na Groenlândia e na Antártida ocorreu em ritmo duas a três vezes mais rápido do que na década anterior. Esse processo provocou:
• elevação contínua do nível do mar
• maior frequência de enchentes costeiras
• perda de habitat para espécies polares
• aumento da vulnerabilidade de cidades litorâneas
O Ártico, especificamente, aqueceu até quatro vezes mais rápido que o resto do planeta, impulsionando a perda recorde de gelo marinho.
Eventos climáticos extremos se tornaram rotina
A década entre 2015 e 2025 registrou um crescimento expressivo de eventos extremos:
• ondas de calor mais longas e intensas
• secas severas em várias regiões da África, América do Sul e sul da Europa
• incêndios florestais devastadores na Austrália (2019–2020), Amazônia (2019–2023), Canadá (2023–2024) e Califórnia
• tempestades e furacões mais potentes, alimentados por oceanos mais quentes
• enchentes recordes em países da Ásia, América Latina e Europa
Esses eventos deixaram milhões de pessoas deslocadas, aumentaram a insegurança alimentar e elevaram custos globais com recuperação de desastres.
Oceanos sob pressão
Entre 2015 e 2025, os oceanos absorveram cerca de 90% do excesso de calor causado pelo efeito estufa. Isso levou a:
• aquecimento recorde das águas, afetando sistemas climáticos
• branqueamento massivo de corais, especialmente na Grande Barreira de Corais
• alterações na pesca e na biodiversidade marinha
• aumento de fenômenos como ciclones e chuvas intensas
Emissões de gases de efeito estufa: avanços lentos e insuficientes
Apesar de acordos internacionais, como o Acordo de Paris, as emissões globais continuaram elevadas entre 2015 e 2025. Houve avanços em energia renovável, mas eles não foram suficientes para conter o crescimento da demanda energética mundial.
Principais tendências da década:
• aumento contínuo das emissões de CO₂ até 2023
• estabilização parcial em 2024 e 2025, mas ainda em níveis muito altos
• dependência persistente de combustíveis fósseis em países industrializados e emergentes
• crescimento acelerado de energias renováveis (solar, eólica e hidrogênio verde)
Biodiversidade em risco crescente
O aquecimento global entre 2015 e 2025 intensificou a perda de espécies e habitats naturais. Estudos apontam:
• mudanças na migração de animais
• deslocamento de espécies de regiões tropicais para áreas polares
• risco crescente para animais como ursos-polares, corais, anfíbios e aves
• desmatamento associado ao clima, ampliando impactos na Amazônia e em florestas africanas
Impactos sociais e econômicos
A década trouxe impactos diretos para a vida humana:
• aumento de doenças relacionadas ao calor
• queda na produtividade agrícola em várias regiões
• crises hídricas e energéticas
• migrações climáticas internas e internacionais
• elevação dos custos com saúde pública e reconstrução pós-desastres
Em 2025, o aquecimento global já é reconhecido como uma das maiores ameaças econômicas e humanitárias do século.
Perspectivas: a janela de oportunidade está se fechando
A partir de 2025, especialistas destacam que o planeta se aproxima rapidamente de ultrapassar 1,5°C de aquecimento. A próxima década será decisiva para:
• acelerar a transição energética
• proteger ecossistemas
• reduzir emissões de forma profunda
• ampliar políticas de adaptação
• evitar efeitos climáticos irreversíveis
Embora os desafios sejam grandes, a década também trouxe esperança: crescimento das energias limpas, avanço tecnológico e maior pressão global por sustentabilidade.