Os embutidos como presunto, salsicha, bacon, mortadela, fazem parte da rotina de muitos. Mas com tanta informação desencontrada, fica a pergunta: eles podem realmente causar câncer? A resposta segundo os organismos de saúde é: sim, há evidência científica que vincula carnes processadas (“embutidos”) a um aumento no risco de determinados tipos de câncer. Vamos ver o que dizem os estudos, os mecanismos, o grau de risco e como agir.
O que dizem os principais órgãos de saúde
• A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou carnes processadas (ou seja, embutidos) no Grupo 1: “cancerígeno para humanos”. Isso significa que existe evidência suficiente de que o consumo de carnes processadas causa câncer, sobretudo colorretal.
• Já a carne vermelha (não processada) foi classificada como Grupo 2A: “provavelmente cancerígena para humanos” a evidência é menor, mas existe associação.
• Um exemplo: comer 50 gramas por dia de carne processada, isso equivale mais ou menos a 2 fatias de bacon ou 1 salsicha média está associado a um aumento de cerca de 18% no risco de câncer colorretal em relação a quem não consome essa quantidade.
Qual o risco real?
• “A evidência é mais forte para carnes processadas” ou seja, embutidos.
• Um estudo de meta-análise publicada em 2021 encontrou que o consumo elevado de carnes processadas se associou a: aumento de ~18% para câncer colorretal, ~21% para câncer de cólon, ~22% para câncer retal, ~12% para câncer de pulmão, dentre outros.
• É importante entender: “risco aumentado” não significa “vai acontecer com certeza”. Também depende de outros fatores (modo de preparo, quantidade, estilo de vida, genética). Por exemplo: a classificação “Grupo 1” da IARC indica força da evidência, não necessariamente que o risco seja igual ao do tabagismo.
Por que embutidos têm esse risco? Os mecanismos
Algumas explicações biológicas para a associação:
• Nessas carnes há nitratos/nitritos usados como conservantes, que podem formar compostos N -nitroso no intestino, substâncias potencialmente cancerígenas
• Metais heme (presentes em carnes vermelhas) e processos de cura, fumagem ou preparo em altas temperaturas (grelhar, fritar) podem gerar compostos como aminas heterocíclicas (HCA) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH), que danificam células.
• Embutidos geralmente também vêm com alto teor de sal, gordura saturada e podem contribuir para obesidade, outro fator de risco para câncer.
O que fazer então? Recomendações práticas
• Reduzir o consumo de embutidos: quanto mais frequente e em maiores quantidades, maior o risco. Mesmo assim, “quanto menos, melhor”.
• Priorizar carnes frescas, menor frequência de processados.
• Optar por modos de preparo mais leves (evitar grelhar com carvão ou fritar em excesso).
• Aumentar consumo de vegetais, legumes, fibras, esses alimentos ajudam a proteger o cólon.
• Verificar rótulos: muitas carnes processadas têm aditivos, conservantes.
• Entender que o risco é apenas uma parte de um estilo de vida mais saudável que inclui atividade física, peso adequado, alimentação equilibrada.
Conclusão
Sim, embutidos (carnes processadas) têm ligação científica com aumento de risco de certos tipos de câncer, especialmente câncer colorretal. A evidência é forte o suficiente para que órgãos de saúde os classifiquem como “cancerígenos”. Mas isso não significa que “quem come uma salsicha vai ter câncer”. Significa que o consumo frequente ou elevado eleva o risco. Portanto, moderação e escolhas conscientes são o caminho.