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A história das baianas de acarajé: tradição, fé e resistência que moldaram a identidade da Bahia

A história das baianas de acarajé começou com as mulheres negras escravizadas que trouxeram o acarajé da cultura iorubá para a Bahia. Vendendo o bolinho nas ruas, elas conquistaram sustento, liberdade e protagonismo. Ligadas ao candomblé e guardiãs de saberes ancestrais, as baianas se tornaram símbolo cultural, religioso e turístico da Bahia. Hoje, seu ofício é Patrimônio Cultural do Brasil e representa resistência, tradição e identidade afro-brasileira.
Foto: Arisson Marinho/Arquivo CORREIO

As baianas de acarajé são um dos maiores símbolos culturais da Bahia e do Brasil. Com suas saias rodadas, turbantes, colares e sorriso acolhedor, elas carregam muito mais do que um ofício culinário: representam uma herança africana ancestral, um patrimônio religioso e um marco de resistência feminina negra que atravessou séculos.

Origens no continente africano

O acarajé nasceu no Golfo do Benim, região onde hoje estão Nigéria e Benim, entre os povos iorubás. Chamado de akara, era um bolinho de feijão-fradinho frito em óleo de dendê, preparado tanto como alimento cotidiano quanto em cerimônias religiosas.

O termo “acarajé” vem da expressão iorubá akará je, que significa “comer bolinho de fogo”, em referência ao dendê quente e marcante, símbolo de energia vital.

Chegada ao Brasil e reinvenção na Bahia

Trazido pelas mulheres negras escravizadas durante o período colonial, o acarajé se tornou uma forma de sustento e liberdade. Muitas mulheres “de ganho” escravizadas que podiam vender alimentos nas ruas, usavam a venda do bolinho para comprar sua alforria ou ajudar na manutenção de seus filhos.

As ruas de Salvador se tornaram o palco onde essas mulheres transformaram culinária em independência econômica e identidade cultural.

Ligação profunda com o candomblé

O acarajé não é apenas comida: é um alimento sagrado.
Ele faz parte das oferendas para Iansã e Xangô, dois dos orixás mais reverenciados no candomblé. Suas receitas e preparos seguem rituais transmitidos de geração em geração, com precisão e respeito.

A baiana de acarajé, portanto, não é apenas uma vendedora, muitas vezes ela é iniciada no candomblé, guardiã de saberes religiosos, tradição e ancestralidade.

Da rua ao patrimônio: o reconhecimento oficial

Com o passar dos séculos, as baianas de acarajé se tornaram figuras indispensáveis da paisagem baiana. Em 2004, o ofício foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN, fortalecendo a preservação das técnicas, vestimentas, receitas e saberes.

Esse reconhecimento protege as baianas contra descaracterizações comerciais e garante a valorização de seu papel social e histórico.

Identidade, resistência e protagonismo feminino

As baianas de acarajé representam:
• Empreendedorismo feminino
• Preservação cultural afro-brasileira
• Resistência negra ao longo dos séculos
• Ligação entre religião, culinária e tradição oral

Elas sustentam famílias, movimentam o turismo e mantêm vivo um legado que nasceu na África e floresceu na Bahia.

A baiana contemporânea

Hoje, as baianas continuam ocupando ruas, praças e festas populares, como a Lavagem do Bonfim e o Carnaval. Mantêm o preparo tradicional do acarajé, feijão-fradinho descascado à mão, massa batida com colher de pau, fritura no dendê puro, e seguem como ícones culturais, espirituais e turísticos.

Mesmo diante da modernização, disputas comerciais e desafios econômicos, permanecem símbolos de autenticidade e força.

Um patrimônio vivo da Bahia

Mais do que um alimento, o acarajé é história servida em bandeja. E as baianas, com sua presença imponente, preservam um dos maiores tesouros afro-brasileiros.
Elas são memória, resistência e celebração, guardiãs de um legado que molda a alma da Bahia e encanta o mundo.

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