O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou alta de apenas 0,1% no terceiro trimestre de 2025, desempenho considerado fraco por economistas e abaixo das projeções do mercado, que esperavam expansão entre 0,3% e 0,5%. O resultado aponta desaceleração da atividade econômica em meio a um cenário de juros ainda elevados, consumo moderado e perda de ritmo em setores-chave.
Desaceleração mais ampla
A expansão tímida reflete a perda de força em praticamente todos os componentes que impulsionam a economia. O consumo das famílias, que vinha sustentando parte do crescimento nos trimestres anteriores, apresentou avanço marginal, impactado pela inflação persistente em serviços e pelo crédito ainda caro.
Do lado das empresas, o investimento produtivo permaneceu fraco, afetado pela combinação de incertezas no ambiente internacional e menor apetite por projetos de expansão. A construção civil, que teve papel relevante na recuperação pós-pandemia, também perdeu ritmo.
Setores com desempenho desigual
A atividade industrial registrou estabilidade, com melhora em alguns segmentos de bens de capital, mas queda na produção de bens duráveis. O setor de serviços responsável por quase 70% da economia avançou, porém em ritmo menor que o registrado no primeiro semestre.
A agropecuária foi o destaque negativo do trimestre. Após fortes safras no início do ano, o setor recuou devido a fatores climáticos e à base de comparação elevada, o que contribuiu para puxar o PIB para baixo.
Mercado de trabalho resistente, mas com sinais de moderação
Mesmo com a desaceleração econômica, o mercado de trabalho continuou apresentando níveis razoáveis de ocupação. No entanto, já há indícios de freio na criação de vagas formais e de menor crescimento na renda real, o que também ajudou a conter o consumo.
Expectativas para o fim de 2025
Economistas avaliam que a economia brasileira pode fechar o ano com crescimento entre 1,4% e 1,7%, dependendo do comportamento dos indicadores do último trimestre. A possível redução mais consistente dos juros ao longo do ano que vem pode estimular o crédito e melhorar o ambiente de investimentos, mas os efeitos tendem a aparecer de forma gradual.
Para analistas, o desafio do governo será manter equilíbrio fiscal e garantir condições para a retomada mais robusta da economia em 2026. Enquanto isso, o resultado de 0,1% no terceiro trimestre acende um alerta: a economia segue crescendo, mas em ritmo mais lento do que o desejado.