O Itaú Unibanco anunciou a compra das participações que o GPA, a Casas Bahia e o Assaí detinham na Financeira Itaú CBD (FIC), encerrando parcerias que duraram mais de duas décadas no varejo brasileiro. A operação movimenta cerca de R$ 786 milhões e marca um dos maiores movimentos recentes do setor de crédito voltado ao consumo no país.
Com o acordo, o Itaú passa a deter 100% da FIC, empresa responsável pela emissão e gestão de cartões co-branded e operações de financiamento ligadas às redes varejistas. Além da compra das fatias na financeira, o banco também adquiriu a participação da Casas Bahia no Banco Investcred, ampliando seu controle sobre serviços financeiros associados às redes de varejo.
Segundo informações divulgadas pelas empresas envolvidas, o GPA e a Casas Bahia receberão o valor integral no fechamento da operação, reforçando o caixa em um momento de reestruturação e ajustes operacionais. No caso do Assaí, a transferência da participação ocorre em duas etapas: parte imediata e parte concluída após um período contratual de transição, durante o qual a rede atacadista seguirá como acionista indireta minoritária.
A compra representa um movimento estratégico para o Itaú, que amplia sua autonomia em produtos financeiros destinados ao varejo e reforça sua capacidade de competir com bancos digitais e fintechs. Ao assumir totalmente a FIC e o Investcred, o banco passa a ter maior controle sobre emissão de cartões, políticas de crédito e desenvolvimento de novos serviços para consumidores de médio e grande varejo.
Para os clientes, nada muda no curto prazo: cartões seguem válidos, limites permanecem ativos e a utilização continua normal nas lojas do GPA, Assaí e Casas Bahia. A expectativa é que, ao longo dos próximos meses, o Itaú implemente ajustes internos e modernize parte das operações, mas sem impacto direto no usuário final.
Para os varejistas, a venda representa a liberação de capital importante em um cenário de forte competição e margens apertadas. GPA, Casas Bahia e Assaí poderão buscar novas parcerias financeiras no futuro, especialmente após o término dos contratos comerciais ainda vigentes com o Itaú. O movimento pode abrir espaço para acordos com bancos digitais ou instituições mais especializadas em crédito ao consumo.
A operação ainda depende de trâmites regulatórios, mas deve ser concluída sem grandes entraves, dada a longa parceria entre as empresas. Com a compra, o Itaú reforça sua presença no segmento de varejo e consolida mais uma peça estratégica no mercado financeiro brasileiro.