A possível união entre Netflix e Paramount, que vinha sendo tratada nos bastidores como um dos maiores acordos da história do entretenimento, agora enfrenta um novo obstáculo político e estratégico. Segundo fontes próximas ao mercado, a equipe de Donald Trump, presidente eleito dos EUA, estaria disposta a intervir contra a fusão caso ela avance, alegando riscos à concorrência, concentração de mercado e impacto no ecossistema de mídia norte-americano. A Paramount, por sua vez, também não demonstra entusiasmo com os termos iniciais apresentados.
A fusão, que colocaria o vasto catálogo da Paramount sob o domínio operacional da Netflix, levantou preocupações sobre redução de competição no streaming, possível demissão em massa e enfraquecimento de produtores independentes. A equipe de Trump teme que o acordo gere uma “superplataforma” com poder desproporcional, reduzindo a diversidade de conteúdo e influenciando mercado publicitário, dados de usuários e negociações internacionais.
Internamente, a Paramount avalia que a fusão poderia diluir sua identidade histórica, especialmente com marcas como CBS, MTV, Showtime e Nickelodeon. Há sinais de que a empresa prefere alternativas que mantenham autonomia, como alianças estratégicas menores, venda parcial de ativos ou parcerias de distribuição. Os acionistas da Paramount também estariam divididos, preocupados com o valor real do negócio e o futuro da empresa em um mercado pressionado.
Se Trump realmente agir para barrar o acordo quando assumir o governo, o processo regulatório pode travar por meses ou até ser arquivado. Já a Netflix tenta demonstrar confiança pública, dizendo que continua interessada em ampliar seu catálogo e fortalecer sua posição global. Porém, nos bastidores, o clima é de alerta: um veto governamental somado à resistência interna da Paramount pode fazer a fusão desmoronar antes mesmo de chegar à mesa dos reguladores.
Para o mercado, o impasse reacende a discussão sobre o futuro do streaming. Com a crescente saturação de plataformas e a queda no número de assinantes em vários serviços, fusões e aquisições se tornaram estratégias comuns. Mas a situação atual prova que nem sempre duas gigantes querem, ou conseguem caminhar juntas. Caso a fusão seja barrada, o setor poderá enfrentar uma nova rodada de incertezas e reacomodações estratégicas.