O Governo da Bahia avança no planejamento de um dos projetos de mobilidade mais ambiciosos das últimas décadas: a reativação da antiga Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco (EFBSF), que conectava Salvador ao município de Juazeiro, no norte do estado. A iniciativa promete transformar a logística, a mobilidade e o desenvolvimento econômico em diversas regiões baianas.
À frente do projeto, o presidente da Companhia de Transportes da Bahia (CTB), Eracy Lafuente, revelou que a estatal está prestes a firmar um contrato de aproximadamente R$ 16 milhões com uma universidade da Espanha. O objetivo é realizar um estudo completo de viabilidade, incluindo análises econômicas, arquitetônicas e de infraestrutura.
Segundo Lafuente, o projeto representa um novo passo após os investimentos recentes em mobilidade urbana, como o metrô de Salvador e o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). “São mais de 600 quilômetros e esse é o nosso próximo desafio. A gente aqui não se acomoda”, afirmou.
Ferrovia de mais de 600 km pode integrar passageiros e cargas
A proposta prevê a requalificação dos trilhos já existentes ao longo dos mais de 600 quilômetros de extensão, permitindo a operação de trens que transportem tanto passageiros quanto cargas. A ideia é transformar a ferrovia em um importante corredor logístico e urbano, inspirado em modelos europeus.
Além de ligar Salvador a Juazeiro, o projeto também busca integrar a capital à Região Metropolitana, passando por cidades estratégicas como Simões Filho, Dias d’Ávila e Camaçari. No futuro, a ferrovia poderá ainda se conectar à Ferrovia Transnordestina, ampliando sua relevância logística.
“A gente vai pensar dentro do projeto que será um grande vetor de mobilidade, de carga e de novas infraestruturas urbanas, como é na Europa. Nós vamos ter um ganho de renda”, projetou o presidente da CTB.
Interesse do Governo Federal reforça projeto
A reativação da ferrovia também está no radar do Governo Federal. Durante agenda em Feira de Santana, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, destacou que já existem estudos em andamento para avaliar o custo de revitalização da linha férrea.
Segundo o ministro, apesar de os trilhos ainda existirem, a falta de manutenção ao longo dos anos exige investimentos significativos para recuperar a trafegabilidade. A proposta inclui ainda a conexão do trecho entre Simões Filho e Águas Claras, integrando o sistema ferroviário ao metrô, ao VLT e à nova rodoviária de Salvador.
Mudança de estratégia: ferrovia substitui expansão do VLT
O novo projeto também marca uma reformulação nos planos de mobilidade do estado. A ideia anterior de expandir o VLT até Alagoinhas foi deixada de lado. Em seu lugar, ganha força a proposta de uma ferrovia de longo alcance até Juazeiro.
Inicialmente, o chamado VLT Metropolitano previa a ligação entre Salvador e Camaçari, passando por Simões Filho, com foco no deslocamento de trabalhadores até o Polo Petroquímico. Agora, com a ampliação do projeto ferroviário, a proposta ganha escala estadual e estratégica.
Um novo eixo de desenvolvimento para a Bahia
Se viabilizada, a reativação da ferrovia Salvador–Juazeiro poderá representar um marco para o desenvolvimento econômico da Bahia. Além de melhorar a mobilidade, o projeto tende a impulsionar o transporte de cargas, reduzir custos logísticos e fomentar novas centralidades urbanas ao longo do trajeto.
A iniciativa ainda está na fase de estudos, mas já é tratada como prioridade dentro do planejamento de longo prazo do estado, sinalizando uma nova era para o transporte ferroviário baiano.