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Alfabetização no Brasil: o que mudou nos últimos 10 anos

Nos últimos 10 anos, o Brasil teve avanços na alfabetização, sobretudo entre jovens, mas o progresso foi lento e marcado por desigualdades regionais. A pandemia freou parte das melhorias, aumentando a defasagem entre alunos. O país ainda enfrenta desafios para acelerar o ritmo e garantir alfabetização plena para todas as faixas etárias.
Foto: Alfons Morales/Unsplash

A taxa de alfabetização no Brasil passou por mudanças importantes na última década, refletindo avanços pontuais, retrocessos e desafios ainda presentes no sistema educacional. Dados de pesquisas nacionais mostram que, embora o país tenha registrado melhora em alguns indicadores, o ritmo de progresso foi mais lento do que o esperado, especialmente após os impactos da pandemia.

Avanços entre adultos e jovens

Nos últimos 10 anos, o Brasil conseguiu ampliar o número de pessoas alfabetizadas, sobretudo entre jovens de 15 a 24 anos. A expansão do acesso à escola, a melhoria do Ensino Fundamental e programas de permanência contribuíram para reduzir a taxa de analfabetismo nessa faixa etária.

Entre adultos acima de 25 anos, houve avanços mais modestos, mas contínuos. A redução do analfabetismo foi puxada principalmente pelas regiões Sudeste e Sul, que já possuíam melhores índices educacionais.

Desigualdades regionais persistem

Apesar do progresso, as diferenças entre regiões continuam marcantes. Norte e Nordeste ainda concentram a maior parte das pessoas não alfabetizadas, resultado de desigualdades históricas, menor infraestrutura educacional e maior vulnerabilidade social.

O contraste também aparece entre áreas urbanas e rurais: cidades registram índices melhores, enquanto regiões interioranas e rurais enfrentam maiores dificuldades de acesso e permanência escolar.

Impactos da pandemia

A partir de 2020, a pandemia interrompeu o ritmo de melhora. A evasão escolar aumentou, a aprendizagem foi prejudicada e crianças do primeiro ciclo do Fundamental, fase crucial da alfabetização, tiveram perdas significativas. Especialistas afirmam que parte desse retrocesso ainda está sendo recuperada.

Programas de reforço, ampliação da jornada escolar e políticas de recomposição da aprendizagem tornaram-se prioridades para estados e municípios na tentativa de retomar o caminho de avanço.

Caminhos para os próximos anos

Educadores defendem que o país precisa investir em formação docente, infraestrutura escolar e políticas de alfabetização baseadas em evidências para acelerar o progresso. A alfabetização é vista como base para todo o desenvolvimento educacional, social e econômico, e sua evolução impacta diretamente a produtividade e a qualidade de vida da população.

Apesar dos desafios, a última década mostra que, com políticas continuadas, é possível avançar. O grande objetivo agora é recuperar perdas e garantir que crianças e adultos tenham pleno acesso à leitura e à escrita, reduzindo desigualdades e fortalecendo o futuro educacional do país.

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