A chamada “caminhada contra o STF” é uma manifestação política iniciada em janeiro de 2026 e liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O ato consiste em um percurso a pé entre cidades de Minas Gerais e Brasília, com centenas de quilômetros, e tem caráter simbólico. Segundo os organizadores, a iniciativa recebeu o nome de “Caminhada pela Justiça e Liberdade”.
A proposta do protesto é chamar atenção para críticas direcionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente em relação a decisões judiciais tomadas nos últimos anos que envolvem figuras ligadas ao bolsonarismo e aos atos de 8 de janeiro de 2023.
O que motivou a caminhada
Os organizadores afirmam que o ato busca questionar o que consideram excessos na atuação do STF. Entre os principais pontos levantados estão decisões que resultaram em prisões, condenações e restrições políticas a lideranças conservadoras, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para os participantes, a caminhada representa uma forma pacífica de defesa da liberdade de expressão, do direito de manifestação e do equilíbrio entre os Poderes da República. Eles argumentam que o Judiciário estaria ultrapassando seus limites constitucionais ao interferir em temas que deveriam ser tratados pelo Legislativo ou pelo voto popular.
Como autoridades e críticos veem o movimento
Autoridades públicas e setores contrários ao protesto demonstraram preocupação com questões de segurança, logística e possíveis impactos no trânsito das rodovias por onde o grupo passa. Há também o receio de que a mobilização possa gerar tensões políticas ou confrontos, especialmente ao se aproximar de Brasília.
Do ponto de vista jurídico, ministros do STF e representantes do poder público reforçam que o direito à manifestação é garantido pela Constituição, mas não é absoluto. Ele pode ser limitado quando houver riscos à segurança, à ordem pública ou a outros direitos fundamentais.
Contexto político e institucional
A caminhada ocorre em um momento de forte polarização política no Brasil. Desde os ataques às sedes dos Três Poderes em janeiro de 2023, o STF passou a ter papel central na responsabilização criminal de envolvidos e de lideranças acusadas de estimular ou tolerar ações contra a democracia.
Essas decisões ampliaram o embate entre setores da direita e o Judiciário. Enquanto críticos falam em ativismo judicial, defensores do STF afirmam que a Corte atua dentro da Constituição para proteger o Estado Democrático de Direito.
Direito de protestar e limites legais
A Constituição brasileira assegura o direito de reunião pacífica, sem armas, em locais públicos. No entanto, esse direito deve respeitar regras administrativas e de segurança, podendo sofrer restrições quando há risco à integridade física das pessoas ou ao funcionamento das instituições.
Assim, manifestações como a caminhada não são ilegais por si só, mas estão sujeitas à atuação de autoridades para garantir segurança, organização e respeito às leis.
Em síntese
A caminhada contra o STF é um ato político de protesto, liderado por um deputado federal e apoiadores, que critica decisões recentes do Supremo Tribunal Federal. Para seus organizadores, trata-se de uma manifestação legítima em defesa da liberdade e da justiça. Para críticos e autoridades, o movimento reflete a atual polarização política e exige atenção quanto à segurança e ao respeito às instituições democráticas.