A Venezuela acumula uma dívida bilionária com o Brasil que se arrasta há anos e segue sem solução definitiva. O débito envolve financiamentos concedidos para exportações e obras de infraestrutura realizadas por empresas brasileiras em território venezuelano, principalmente durante a década passada, quando os dois países mantinham uma relação política e comercial mais próxima.
Quanto a Venezuela deve ao Brasil
O valor da dívida ultrapassa R$ 10 bilhões, somando o montante principal e os juros acumulados ao longo dos anos de inadimplência. Esse número continua crescendo, já que a Venezuela deixou de honrar os pagamentos e os encargos seguem sendo incorporados ao saldo devedor. Parte significativa desse valor acabou sendo assumida pelo governo brasileiro.
Origem da dívida
A maior parte do débito tem origem em financiamentos para exportações e grandes projetos de infraestrutura, como obras de transporte, energia e indústria. Esses contratos contaram com garantias do Estado brasileiro para proteger empresas nacionais contra calotes. Quando a Venezuela deixou de pagar, o Brasil precisou indenizar bancos e exportadores, transferindo a dívida para os cofres públicos.
Inadimplência prolongada
A Venezuela está em situação de inadimplência com o Brasil desde 2018. A crise econômica profunda no país, marcada por queda da produção de petróleo, inflação elevada e colapso fiscal, dificultou qualquer tentativa de regularização dos pagamentos. Além disso, o isolamento internacional e as sanções externas contribuíram para o agravamento do cenário financeiro venezuelano.
Tentativas de negociação
Ao longo dos últimos anos, o governo brasileiro buscou abrir canais de diálogo para renegociar a dívida, discutindo alternativas como parcelamento, alongamento de prazos ou reestruturação dos valores. Apesar de promessas e sinalizações políticas, até agora não houve acordo concreto nem cronograma definido para a quitação do débito.
Impactos para o Brasil
O não pagamento da dívida tem impacto direto nas contas públicas brasileiras. Como o Tesouro precisou cobrir parte dos prejuízos, o valor deixou de ser apenas um problema comercial e passou a pesar no orçamento federal. Além disso, o impasse afeta a relação bilateral, reduzindo a confiança para novos investimentos e dificultando a retomada do comércio entre os dois países.
O que pode acontecer daqui para frente
Especialistas avaliam que a dívida só será resolvida por meio de uma ampla renegociação, possivelmente com prazos longos e condições especiais. O desfecho depende da estabilidade política e econômica da Venezuela e da disposição dos dois governos em avançar nas negociações. Até lá, o passivo continua crescendo e permanece como um dos principais entraves na relação entre Brasil e Venezuela.