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​Do Escravismo à IA: Haverá “Transição Justa” ou Novo Abandono?

Vamos ficar para trás ? ​Ontem, durante a plenária da Rede Ilhéus (06/12/2025), fomos atingidos por uma provocação necessária e desconfortável. O baiano que ocupa a secretaria de emprego e renda do Ministério do Trabalho; Magno Lavigne lançou ao público uma questão que, se não tirar o seu sono, deveria: ​“Existirá uma transição justa no […]

Foto: Freepik

Vamos ficar para trás ?

​Ontem, durante a plenária da Rede Ilhéus (06/12/2025), fomos atingidos por uma provocação necessária e desconfortável. O baiano que ocupa a secretaria de emprego e renda do Ministério do Trabalho; Magno Lavigne lançou ao público uma questão que, se não tirar o seu sono, deveria:

“Existirá uma transição justa no sistema capitalista da era industrial para a era da Inteligência Artificial?”

​A pergunta não veio sozinha. Lavigne traçou um paralelo histórico cruel e preciso. Ele nos lembrou que, na transição do sistema escravista para o trabalho assalariado no Brasil, a “justiça” foi inexistente. Os escravizados não foram integrados; foram soltos à própria sorte, sem terras, sem indenização e sem dignidade, criando cicatrizes sociais que sangram até hoje.

​A provocação é clara: estaremos nós, trabalhadores da era industrial, prestes a ser os “novos desamparados” diante da automação total? Quando a máquina substituir o braço e o cérebro humano, haverá acolhimento ou seremos deixados à margem do sistema econômico, tal como no passado?

​O Erro de Cálculo: Séculos ou Anos?

​Embora a analogia de Magno seja brilhante na essência sociológica, ouso discordar veementemente de um ponto crucial de sua fala. Lavigne sugeriu que este é um tema que a humanidade só compreenderá em sua totalidade daqui a três séculos.

​Infelizmente, não temos esse tempo. Eu afirmo: não serão três séculos, mas talvez três anos.

​Magno subestima a variável mais assustadora desta equação: a velocidade exponencial da evolução da Inteligência Artificial. Diferente das revoluções industriais passadas, que levavam gerações para se consolidar, a revolução da IA acontece em atualizações semanais. O que hoje é “futuro”, mês que vem é obsoleto. A compreensão do impacto não será uma análise histórica para nossos tataranetos; será um choque de realidade para nós, agora.

​A Profecia da “Legião de Inúteis” e a Renda Mínima

​A urgência dessa discussão já ultrapassou as barreiras ideológicas. Não é apenas uma preocupação sindical ou de esquerda. Figuras centrais do capitalismo global, como Elon Musk, já preveem o inevitável.

​Musk e outros magnatas da tecnologia vêm batendo na tecla da Renda Básica Universal (ou Renda Mínima) não por bondade, mas por necessidade matemática. Eles preveem uma escala global de desemprego estrutural onde o trabalho humano se torna economicamente inviável. Sem salário, não há consumo. Sem consumo, o capitalismo colapsa.

​Se a transição do escravismo para o assalariado foi marcada pelo abandono, a transição para a Era da IA corre o risco de ser marcada pela irrelevância.

​O Desafio Imediato

​A provocação feita na Rede Ilhéus deve servir como um alarme de incêndio. Não podemos esperar 300 anos para avaliar se a transição foi justa. Precisamos exigir as garantias dessa justiça agora. Se a história nos ensinou algo, é que o sistema, por si só, não é benevolente.

​Se a transição justa não for forçada pela sociedade civil, o cenário de “escravos soltos à própria sorte” não será apenas uma memória triste do século XIX, mas a manchete dos jornais de 2028.

P.S.: Ah, e para fechar com a ironia suprema: este texto que questiona se você será substituído, alertando para a extinção de milhões de empregos e a urgência da Renda Mínima, foi elaborado com a ajuda de uma Inteligência Artificial. A transição não está vindo. Ela já começou. Você está pronto?

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