O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, já trabalha internamente com cenários para o “dia depois” da eventual queda de Nicolás Maduro na Venezuela. Embora não exista um gatilho claro para a saída do líder venezuelano, a Casa Branca considera cada vez mais provável que o regime possa entrar em colapso devido a pressões internas, crises econômicas e isolamento internacional.
Planos de transição em sigilo
Nos bastidores, equipes de segurança nacional e diplomacia norte-americanas elaboram documentos que mapeiam possíveis caminhos para a transição venezuelana. Esses cenários cobrem desde uma renúncia negociada até uma deposição provocada por rupturas dentro das próprias Forças Armadas. Os estudos incluem também como lidar com um eventual vácuo de poder, necessidade de garantir segurança interna e formas de evitar disputas entre diferentes grupos políticos e militares após a queda de Maduro.
A avaliação é que qualquer transição, para ser estável, exigiria algum tipo de coordenação internacional e apoio imediato em áreas como energia, infraestrutura, segurança pública e abastecimento, setores atualmente debilitados no país.
Incertezas sobre as Forças Armadas
Um dos pontos considerados mais delicados pelos estrategistas americanos é a reação dos militares venezuelanos. Embora parte do alto comando seja fiel ao governo Maduro, há também sinais de desgaste e insatisfação em segmentos intermediários. Os diferentes cenários analisados tentam prever como esses grupos se comportariam diante da possibilidade de mudança de regime, e qual deles poderia assumir papel central na transição.
Possível governo interino e eleições
Entre as hipóteses avaliadas está a criação de um governo interino com duração de até um ano, responsável por organizar eleições gerais, estabilizar o país e coordenar a entrada de ajuda internacional. Esse governo poderia ser formado por figuras civis, militares dissidentes ou uma combinação dos dois, dependendo de como o processo de ruptura ocorra.
Maduro reforça segurança e restringe movimentos
Do lado venezuelano, o governo Maduro tem aumentado medidas de segurança, reduzido aparições públicas e intensificado o controle sobre estruturas estratégicas. O regime interpreta sinais crescentes de tensão regional e teme tanto uma ofensiva interna quanto possível ação coordenada por potências estrangeiras.
Um futuro ainda nebuloso
Apesar da elaboração dos planos, a Casa Branca reconhece que não há clareza sobre quando ou como Maduro pode deixar o poder. O próprio processo de queda, se espontâneo, negociado ou forçado, é o que definirá quem assumirá o controle do país e quais forças disputarão protagonismo no período pós-regime.
A única certeza, segundo fontes próximas às discussões, é que os Estados Unidos não pretendem ser pegos de surpresa caso o cenário venezuelano mude de forma repentina. O objetivo é evitar caos, disputa armada e novo ciclo de instabilidade na região.