A Bolsa brasileira enfrenta uma forte retirada de recursos por parte de investidores estrangeiros. Em agosto, o saldo negativo já ultrapassou R$ 15 bilhões, tornando o mês o período de maior saída de capital estrangeiro da B3 em 2026 até o momento.
Segundo dados da B3, o movimento ganhou força ao longo dos primeiros pregões do mês. Somente no dia 11 de agosto, os estrangeiros retiraram cerca de R$ 4,7 bilhões do mercado acionário brasileiro, uma das maiores saídas diárias registradas nos últimos anos.
A fuga acontece após um primeiro semestre marcado por forte entrada de recursos internacionais. Janeiro, fevereiro e março registraram entradas líquidas de R$ 26,31 bilhões, R$ 15,40 bilhões e R$ 11,66 bilhões, respectivamente. O cenário mudou a partir do segundo trimestre, com saídas expressivas em maio e junho.
Entre os fatores que pressionam a percepção dos investidores estão os juros elevados, preocupações com o crescimento econômico, deterioração do crédito, incertezas fiscais e a proximidade das eleições presidenciais. O cenário internacional, incluindo as tensões geopolíticas e as perspectivas para os juros nos Estados Unidos, também aumenta a cautela nos mercados emergentes.
Apesar da forte retirada registrada em agosto, o mercado apresentou recuperação nos últimos pregões. Nesta sexta-feira (21), o Ibovespa abriu em alta, enquanto o dólar recuava, em um movimento favorecido pela melhora das bolsas internacionais e pela entrada de recursos estrangeiros no pregão.