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Lavagem do Bonfim: tradição, fé e identidade do povo baiano

A Lavagem do Bonfim é uma celebração histórica de fé e sincretismo em Salvador, unindo catolicismo, candomblé, cultura popular e identidade do povo baiano anualmente.
Foto: FernandoVivas

A Lavagem do Bonfim é uma das manifestações culturais e religiosas mais importantes da Bahia e do Brasil. Realizada anualmente em Salvador, sempre na quinta-feira que antecede o segundo domingo de janeiro, a celebração reúne fé, história, sincretismo religioso e identidade popular, transformando as ruas da cidade em um grande cortejo de devoção e cultura.

A origem da Lavagem do Bonfim remonta ao século XVIII, ligada à construção da Igreja do Senhor do Bonfim, concluída em 1772. Inicialmente, a limpeza do templo era feita por escravizados, que utilizavam água, vassouras e flores como parte das tarefas impostas pelos senhores. Com o tempo, esse ato de limpeza ganhou um significado simbólico e religioso, sendo incorporado às expressões de fé do povo negro, especialmente dos adeptos das religiões de matriz africana.

Com a proibição, no final do século XIX, da entrada de rituais afro-brasileiros dentro das igrejas católicas, a lavagem passou a ser realizada apenas nas escadarias do templo. Esse fato fortaleceu ainda mais o caráter sincrético da festa, unindo o catolicismo, que venera o Senhor do Bonfim ao candomblé, que associa a figura do santo a Oxalá, orixá da criação, da paz e da fé.

O cortejo começa geralmente na Igreja da Conceição da Praia, no Comércio, e segue por cerca de oito quilômetros até a Colina Sagrada, na Cidade Baixa. Baianas vestidas de branco, carregando potes de água de cheiro, flores e alfazema, conduzem a lavagem das escadarias, enquanto milhares de fiéis, moradores e turistas acompanham o trajeto ao som de atabaques, cânticos, blocos culturais e manifestações populares.

Ao longo dos anos, a Lavagem do Bonfim deixou de ser apenas um ritual religioso e se consolidou como um grande evento cultural e turístico. Personalidades políticas, artistas, líderes religiosos e representantes da sociedade civil participam do cortejo, reforçando a dimensão simbólica da festa como expressão de resistência, fé e diversidade cultural do povo baiano.

Mais do que uma celebração, a Lavagem do Bonfim representa a história de um povo que transformou dor e imposição em devoção, identidade e orgulho. É um momento em que Salvador reafirma suas raízes africanas, sua religiosidade plural e sua capacidade de unir diferentes crenças em torno de um mesmo sentimento: a fé que move e protege o povo da Bahia.

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