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O QUE O MÉXICO FEZ COM A JORNADA 6×1 E COM O SALÁRIO MÍNIMO

O México passou por duas mudanças importantes: ampliou o descanso semanal, caminhando para o fim da jornada 6×1 e garantindo dois dias de folga, e aplicou uma política forte de valorização do salário mínimo, que cresceu mais de 200% desde 2018. As medidas aumentaram o poder de compra, reduziram a pobreza laboral e melhoraram a qualidade de vida, tornando o país referência em reformas trabalhistas na América Latina.
Foto: Freepik

O México se tornou um dos exemplos mais comentados da América Latina quando o assunto é reforma trabalhista e valorização do salário mínimo. Nos últimos anos, o país adotou duas mudanças estruturais que mexeram diretamente com a vida dos trabalhadores: a revisão da jornada 6×1 e a forte política de aumento real do salário mínimo.

A seguir, veja o que mudou e por que essas medidas ganharam destaque internacional.

Fim da jornada 6×1 e fortalecimento do descanso semanal

Até recentemente, muitos setores do México operavam com uma lógica próxima ao 6×1, seis dias trabalhados para apenas um de descanso. A revisão dessa estrutura começou em 2023, quando o Congresso mexicano aprovou uma reforma constitucional ampliando o descanso semanal.

O que mudou:
• O descanso semanal passou de 1 para 2 dias por semana, criando uma jornada equivalente ao 5×2.
• A nova regra busca melhorar a qualidade de vida, reduzir o desgaste físico e mental e aumentar a produtividade.
• A reforma também abriu portas para discussões sobre redução da carga horária semanal, que atualmente é de 48 horas.

Embora a implementação seja gradual e dependa de regulamentações complementares, o país já discute oficialmente uma transição para semanas mais curtas, algo que o colocaria entre os mais avançados da região em direitos trabalhistas.

A grande virada no salário mínimo

Se no Brasil reajustes do mínimo costumam gerar longas discussões políticas, no México uma política agressiva de valorização se tornou uma marca dos últimos anos.

Entre 2018 e 2025, os aumentos acumulados do salário mínimo mexicano ultrapassaram 200%, uma das maiores altas do mundo no período.

Como era e como ficou
• Em 2018, o salário mínimo era de aproximadamente 88 pesos por dia.
• Em 2025, supera 300 pesos por dia, variando conforme região.
• Em áreas de fronteira, historicamente mais caras, os reajustes foram ainda maiores.

Por que esses aumentos foram feitos

O governo mexicano buscou:
• recuperar o poder de compra perdido em décadas de estagnação salarial,
• reduzir desigualdades,
• estimular a economia interna,
• combater o trabalho informal, muito comum no país.

Organismos internacionais como a OIT elogiaram as medidas, que resultaram em crescimento do consumo e melhoria de indicadores sociais sem provocar alta generalizada do desemprego — um medo comum em países que propõem aumentos fortes no salário mínimo.

Impactos sentidos pela população

  1. Maior poder de compra
    Com salários mais altos, milhões de famílias conseguiram ampliar gastos essenciais, como alimentação, transporte e moradia.
  2. Redução da pobreza laboral
    A porcentagem de trabalhadores que, mesmo empregados, viviam abaixo da linha da pobreza diminuiu.
  3. Pressão sobre pequenas empresas
    Alguns setores — especialmente micro e pequenas empresas — relatam dificuldade de absorver aumentos tão expressivos, exigindo políticas de apoio e crédito.
  4. Debates sobre competitividade
    Há discussões sobre os efeitos em setores exportadores, que competem com países de salários muito menores. Ainda assim, estudos recentes indicam que a produtividade acompanhou boa parte dos reajustes.

Por que isso importa para o Brasil

O caso mexicano virou referência para debates brasileiros sobre:
• revisão da jornada de trabalho,
• proteção ao descanso semanal,
• valorização real do salário mínimo,
• impacto econômico de políticas salariais agressivas.

Enquanto o México avança para uma lógica mais humanizada e com foco no poder de compra interno, o Brasil observa os resultados de perto, avaliando o que pode ser adaptado à realidade nacional.

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