A Prefeitura de Salvador autorizou, nesta terça-feira (20), a demolição de imóveis residenciais no bairro do Rio Vermelho, uma das áreas mais tradicionais e valorizadas da capital baiana. A medida abre caminho para a construção de novos prédios residenciais, em uma região próxima à orla e à Praia do Buracão, gerando forte repercussão entre moradores, urbanistas e movimentos sociais.
A autorização foi concedida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) e publicada no Diário Oficial do Município. O ato permite a remoção das estruturas existentes para viabilizar um novo empreendimento imobiliário de médio e alto padrão, reforçando o processo de verticalização do bairro, que vem sendo debatido há anos em Salvador.
O que está previsto para a área
De acordo com os dados do processo administrativo, o terreno onde as casas serão demolidas possui pouco mais de 1.200 metros quadrados. O projeto prevê a construção de edifícios residenciais, com licenças ambientais e urbanísticas já concedidas dentro dos prazos legais estabelecidos pelo município.
A autorização para demolição é uma das primeiras etapas do processo, antecedendo ou acompanhando a liberação definitiva das obras. A prefeitura sustenta que o empreendimento está em conformidade com o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e com a Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo (LOUOS) atualmente em vigor.
Reação de moradores e movimentos sociais
A decisão provocou reação imediata de moradores do Rio Vermelho, ambientalistas e coletivos urbanos, que criticam os impactos do avanço imobiliário na região. Entre as principais preocupações estão o sombreamento da Praia do Buracão, a redução da ventilação natural, o aumento do tráfego e a perda de características históricas e paisagísticas do bairro.
Movimentos organizados argumentam que a verticalização excessiva da orla compromete o uso público da praia e pode gerar impactos ambientais permanentes. Também há questionamentos sobre a realização de estudos técnicos detalhados, como análises de insolação e impacto urbanístico.
Questionamentos jurídicos e debate público
Entidades civis e representantes comunitários afirmam que a autorização pode conflitar com decisões judiciais que discutem regras específicas para construções na orla de Salvador. Segundo os grupos, a liberação para demolição e futura edificação deveria aguardar o julgamento definitivo de ações que tratam dos limites urbanísticos na região costeira.
O tema também tem sido debatido na Câmara Municipal de Salvador, onde vereadores já apresentaram propostas alternativas para o uso da área, como a criação de espaços públicos, áreas de lazer ou praças, visando preservar o acesso da população à orla.
Próximos passos
Com a autorização publicada, a demolição dos imóveis pode ocorrer a qualquer momento, desde que cumpridos os procedimentos técnicos exigidos. Já o início das obras dos novos prédios ainda depende de etapas complementares de fiscalização e validação dos alvarás.
Movimentos sociais não descartam novas mobilizações e ações judiciais para tentar suspender o empreendimento. O caso reacende o debate sobre desenvolvimento urbano, preservação ambiental e participação popular nas decisões que moldam o futuro de Salvador.