A saúde mental tem ocupado um papel cada vez mais central nas políticas públicas de saúde no Brasil e passou a ser tratada como prioridade dentro da atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Com o aumento expressivo de casos de ansiedade, depressão, estresse crônico e síndrome de burnout, especialmente nos últimos anos, o cuidado psicológico deixou de ser visto apenas como atendimento especializado e passou a integrar as ações de rotina das unidades de saúde.
Nas Unidades de Saúde da Família, equipes multiprofissionais vêm ampliando o acolhimento e o acompanhamento de pacientes com sofrimento emocional. O objetivo é identificar sinais de transtornos mentais de forma precoce, oferecer escuta qualificada e iniciar o tratamento antes que os quadros se agravem. Essa abordagem preventiva contribui para reduzir internações, afastamentos do trabalho e impactos sociais mais amplos.
Além das consultas individuais, a atenção básica tem investido em ações coletivas, como grupos terapêuticos, rodas de conversa e atividades educativas voltadas ao bem-estar emocional. Essas iniciativas ajudam a combater o estigma em torno da saúde mental e fortalecem o vínculo entre a comunidade e os profissionais de saúde, facilitando o acesso ao cuidado contínuo.
A integração entre a atenção básica e os serviços especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), também tem sido fortalecida. Quando necessário, os pacientes são encaminhados para atendimento especializado, mantendo o acompanhamento próximo na unidade de origem. Especialistas apontam que essa articulação é fundamental para garantir um cuidado mais humanizado e eficiente.
Apesar dos avanços, desafios persistem. A alta demanda, a escassez de profissionais especializados e a necessidade de maior investimento em capacitação ainda limitam a expansão do atendimento. Gestores públicos reconhecem que ampliar o acesso à saúde mental é um passo essencial para melhorar a qualidade de vida da população e fortalecer o SUS como um sistema de saúde integral e universal.