A Ucrânia negou oficialmente ter aceitado os termos de um plano de paz proposto por Donald Trump. Segundo autoridades ucranianas de alto escalão, o documento norte-americano, divulgado como uma proposta de trégua, contém exigências que ferem a soberania ucraniana e representam concessões muito além do que o país pode considerar.
O plano, apresentado pelos Estados Unidos, prevê mais de duas dezenas de pontos que incluem demandas como a redução do poder militar da Ucrânia, a renúncia definitiva de aderir à OTAN, e a entrega de parte de seu território à Rússia. Além disso, as propostas incluem a gradual suspensão das sanções econômicas impostas à Rússia, bem como a criação de um fundo de investimento para administrar ativos russos congelados.
De acordo com autoridades ucranianas, as conversas com os americanos foram conduzidas por representantes técnicos, sem aval político ou compromisso formal. Um dos nomes citados pelos EUA como figura-chave na articulação é Rustem Umerov, membro do Conselho de Segurança da Ucrânia. No entanto, Umerov afirmou que seu papel foi limitado à mediação técnica, e negou que tenha dado qualquer aprovação aos termos ou atuado como signatário de um acordo.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, declarou ter recebido o documento, mas frisou que seu país só avançará no processo após análise cuidadosa das cláusulas. Segundo ele, as equipes técnicas ucranianas e americanas devem se reunir para debater os pontos apresentados e buscar uma paz “real e digna” que não comprometa a integridade do país.
O impasse gerou reação internacional. Aliados europeus da Ucrânia afirmaram que não foram consultados sobre o plano, o que levantou questionamentos diplomáticos sobre a legitimidade e a viabilidade da proposta. A falta de um alinhamento entre os parceiros ocidentais coloca em xeque a força do plano norte-americano, uma vez que sua implementação dependeria não apenas da Ucrânia, mas também de garantias e apoio internacional.
Para a Ucrânia, aceitar as exigências poderia significar abrir mão de conquistas estratégicas importantes, incluindo a defesa nacional e a proteção de seus territórios. Já para os Estados Unidos, o plano pode ser visto como uma tentativa de forçar uma solução rápida para o conflito, ainda que controversa e potencialmente arriscada para os interesses ucranianos.
Em meio à incerteza, a categoria política ucraniana demonstrou cautela: embora o diálogo técnico continue, não há confirmação de compromisso formal ou assinatura de tratado. A possibilidade de que o plano de Trump seja apenas um ponto de partida para futuras negociações persiste, mas também há ceticismo, especialmente sobre até que ponto a Ucrânia estaria disposta a pagar um preço tão alto em troca de uma trégua.
O desenrolar desse episódio pode ter impacto significativo para o futuro das negociações de paz, para a dinâmica de poder entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos, e para o equilíbrio das alianças entre os países ocidentais.