O Mercosul enfrenta divisão interna na disputa para escolher o novo diretor-geral do IICA (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura), órgão que reúne 34 países do continente e tem foco na cooperação agrícola.
O pleito será realizado durante a conferência de ministros da Agricultura das Américas, que ocorre em Brasília entre os dias 3 e 5 de novembro. Até agora, o resultado é considerado imprevisível.
O governo brasileiro, sob Lula, manifesta apoio ao uruguaio Fernando Mattos, ex-ministro do governo Lacalle Pou, cujo nome foi mantido e endossado pelo presidente uruguaio Yamandú Orsi. Essa posição causa estranheza diplomática entre alguns parceiros do Mercosul.
Por outro lado, Argentina e Paraguai sinalizam apoio ao engenheiro agrônomo Muhammad Ibrahim, da Guiana, que tem respaldo de vários países caribenhos na disputa. Outro nome lançado é o da secretária de Agricultura de Honduras, Laura Suazo, que corre como opção independente.
O atual diretor-geral do IICA é o argentino Manuel Otero, cuja eleição foi em 2017. Seu mandato chega ao fim, e a sucessão é vista como momento-chave para definir rumos de cooperação agrícola e segurança alimentar na América Latina.
Há críticas internas porque Mattos, mesmo com apoio brasileiro, foi presidente da associação rural do Uruguai e se posicionou contra programas de reforma agrária — algo sensível para o governo Lula.