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CEPLAC; A verdade

Análise de uma corporação Bilionária. Durante décadas, construiu-se no sul da Bahia uma narrativa conveniente: a de que a CEPLAC teria sido a grande guardiã do cacau brasileiro.Essa versão não resiste a uma análise honesta dos fatos históricos, econômicos e científicos. A verdade é incômoda: a CEPLAC foi financiada pelo próprio produtor, arrecadou bilhões ao […]

Fotpo: Vecteezy

Análise de uma corporação Bilionária.

Durante décadas, construiu-se no sul da Bahia uma narrativa conveniente: a de que a CEPLAC teria sido a grande guardiã do cacau brasileiro.
Essa versão não resiste a uma análise honesta dos fatos históricos, econômicos e científicos.

A verdade é incômoda: a CEPLAC foi financiada pelo próprio produtor, arrecadou bilhões ao longo do tempo e falhou no momento em que o produtor mais precisou.

O dinheiro do cacau que sustentou a estrutura

Entre as décadas de 1960 e 1980, o cacau esteve entre os principais produtos de exportação do Brasil. Parte relevante dessa riqueza sustentou a CEPLAC por meio de retenções cambiais, contribuições indiretas e mecanismos vinculados à exportação.

Estimativas históricas indicam que:

  • a arrecadação direta e indireta ligada ao cacau ficou entre US$ 3,5 e 5 bilhões à época;
  • em valores atualizados, isso representa algo entre US$ 15 e 25 bilhões.

Esse dinheiro não veio do Tesouro.
Veio do cacau.
Veio do produtor.

A vassoura-de-bruxa não foi uma surpresa

A vassoura-de-bruxa não era uma doença desconhecida.
Antes de chegar ao sul da Bahia, já havia estudos científicos:

  • na Amazônia;
  • em outros países produtores;
  • em centros acadêmicos nacionais e internacionais.

Havia literatura alertando para o risco fitossanitário.
Havia precedentes.
Havia conhecimento acumulado.

Mesmo assim, não houve antecipação, plano preventivo ou estratégia de contenção.
Quando a doença chegou, o produtor estava sozinho.

A ciência não nasceu na CEPLAC

Outro mito precisa ser desmontado.

A base tecnológica de combate à vassoura-de-bruxa:

  • não foi criada dentro da CEPLAC;
  • veio de pesquisa privada;
  • veio de universidades, com destaque para a UNICAMP;
  • e de pesquisa internacional pré-existente.

A CEPLAC atuou como instituição executora e difusora, mas não como origem da ciência.
Confundir esses papéis é distorcer a história.

O pacote tecnológico e o endividamento em massa

Em vez de proteger o produtor, a CEPLAC — em articulação com o Banco do Brasil — promoveu um pacote tecnológico financiado a crédito.

Na prática:

  • produtores foram induzidos ao endividamento;
  • assumiram financiamentos em meio a uma crise sanitária;
  • sem garantias reais de retorno;
  • sem proteção contra o colapso produtivo.

O resultado foi devastador:

  • milhares de produtores quebrados;
  • fazendas penhoradas;
  • nomes negativados;
  • perda patrimonial, social e ambiental em larga escala.

A judicialização e a postergação da justiça

Esse modelo gerou milhares de ações judiciais.

Existem:

  • processos julgados;
  • decisões transitadas em julgado;
  • reconhecendo falhas estruturais no modelo imposto ao produtor.

Mesmo assim, observa-se a postergação sistemática do cumprimento das decisões, com uso de medidas processuais protelatórias.

Há casos em que a baixa e o cumprimento não ocorrem há décadas, inclusive após 2003, apesar do trânsito em julgado.

A justiça decidiu.
O sistema empurrou.

Um fracasso que atravessa governos

É fundamental dizer: esse problema não é de um governo específico.

Ele atravessa além dos militares de 64 a 85 (que mais se esbaldaram pelos altos preços do período e falta de fiscalização) :

  • FHC;
  • Lula;
  • Dilma;
  • Bolsonaro.

Mudaram os presidentes, o produtor continuou abandonado.
Mudaram os discursos, a estrutura permaneceu intacta.

O erro foi institucional, continuado e tolerado pelo Estado brasileiro, independentemente de ideologia ou partido.

A hipocrisia do discurso socioambiental

Agora, o cacau é exaltado como: 🌱 símbolo de agrofloresta;
🌎 exemplo de sustentabilidade;
🌳 ativo ambiental estratégico;

Tudo isso aparece com destaque no discurso internacional, inclusive no contexto da COP-30.

Mas existe uma contradição gritante:

👉 Não há sustentabilidade sem produtor.
👉 Não há floresta em pé com agricultor quebrado.
👉 Não há justiça climática com dívida, penhora e abandono social.

O mesmo Estado que hoje exalta o cacau como ativo ambiental foi incapaz de proteger quem manteve a cabruca viva durante décadas.

Conclusão

O colapso do cacau brasileiro não foi apenas uma doença.
Foi um fracasso institucional, financiado pelo próprio produtor, atravessando governos e agora maquiado por um discurso verde tardio.

Sem:

  • revisão histórica,
  • prestação de contas,
  • reparação econômica,
  • e justiça efetiva,

a sustentabilidade defendida nos palcos internacionais será apenas retórica vazia.

O produtor bancou o sistema.
O sistema não bancou o produtor.


Se quiser, posso:

  • adaptar para artigo político-jurídico
  • transformar em dossiê COP-30
  • fazer versão mais curta para imprensa
  • ou quebrar em série de posts/carrossel

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