O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) voltou a provocar intenso debate público ao afirmar que é preciso “acabar com a escala”, em referência aos modelos tradicionais de jornada de trabalho no Brasil. A declaração foi feita durante discurso político e rapidamente repercutiu nas redes sociais, entre apoiadores, empresários e especialistas em relações trabalhistas.
A fala de Boulos está associada à crítica às escalas rígidas, como a 6×1, ainda comuns em setores como comércio, serviços e indústria. Segundo o parlamentar, esse formato compromete a qualidade de vida dos trabalhadores, limita o convívio familiar e social e contribui para o aumento do estresse e de problemas de saúde. Para ele, o avanço tecnológico e os ganhos de produtividade permitem discutir jornadas mais flexíveis e humanas.
Defensores da proposta argumentam que a revisão das escalas pode aumentar a produtividade, reduzir o adoecimento mental e melhorar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Eles citam experiências internacionais com semanas reduzidas de trabalho, como a jornada de quatro dias, que apresentaram resultados positivos tanto para empregados quanto para empresas.
Por outro lado, críticos afirmam que o fim ou a flexibilização ampla das escalas pode gerar aumento de custos, dificuldade de operação contínua e impactos negativos na economia, especialmente para pequenos e médios negócios. Entidades empresariais defendem que qualquer mudança deve ser debatida com cautela, considerando as particularidades de cada setor e a realidade econômica do país.
A declaração de Boulos reforça um debate que vem ganhando força no Brasil: a necessidade de atualizar o modelo de trabalho diante das transformações sociais, tecnológicas e econômicas. Embora ainda não haja uma proposta legislativa concreta apresentada, o tema promete ocupar espaço central nas discussões políticas e trabalhistas nos próximos anos.