O custo para exportar carne bovina brasileira registrou uma forte alta em março de 2026, impactado diretamente pela escalada da guerra no Irã. O valor médio do frete em contêineres refrigerados saltou de cerca de US$ 2,8 mil para aproximadamente US$ 7 mil, um aumento superior a 150% em apenas um mês, segundo levantamento divulgado pelo portal econômico SpaceMoney.
A disparada está ligada à desorganização das rotas marítimas globais. O conflito no Oriente Médio, especialmente na região do Estreito de Ormuz, uma das principais vias do comércio mundial, provocou desvios de navios, aumento no tempo de transporte e redução da oferta de embarcações disponíveis, conforme análise publicada pelo SpaceMoney.
Esse cenário afeta diretamente a competitividade da carne brasileira no mercado internacional. Exportadores enfrentam custos mais altos e precisam decidir entre absorver o prejuízo ou repassar o aumento aos compradores, o que pode reduzir o volume de vendas. Os principais destinos, como China, Oriente Médio e países do Sudeste Asiático, já sentem os impactos logísticos, de acordo com especialistas ouvidos pelo setor.
Além disso, há escassez de contêineres refrigerados essenciais para o transporte de carne e cobrança de taxas extras, como o chamado “seguro de guerra”. Em alguns casos, navios chegam a aguardar em alto-mar sem conseguir atracar, elevando ainda mais os custos operacionais e o risco para o setor, segundo informações do portal Brasil Agro.
Especialistas alertam que, se o conflito persistir, o impacto pode ir além do frete e afetar até 40% das exportações brasileiras de carne. O cenário gera incerteza no agronegócio e pode pressionar toda a cadeia produtiva, desde frigoríficos até produtores rurais, conforme projeções divulgadas pelo Brasil Agro.