Quando se fala em literatura baiana, grande parte das atenções ainda se concentra em Salvador.
Mas existe uma força literária crescente no interior do estado — especialmente no Sul da Bahia — que há décadas produz escritores, cronistas, poetas, pesquisadores e editores fundamentais para a preservação da memória cultural baiana.
Entre Ilhéus, Itabuna, Ibicaraí e Itacaré, formou-se uma verdadeira rede de produção intelectual ligada à cultura do cacau, à Mata Atlântica, à oralidade regional e às transformações sociais da região.
E dois nomes ajudam a simbolizar esse movimento: Agenor Gasparetto e Gustavo Felicíssimo.
À frente da Via Litterarum Editora�, Gasparetto consolidou um dos trabalhos mais importantes de incentivo à literatura regional no interior da Bahia. Professor, sociólogo e escritor, ajudou inúmeros autores independentes a publicarem suas obras e preservarem histórias que poderiam se perder no tempo.
Seu trabalho vai além da edição de livros. Trata-se de uma missão cultural de valorização da identidade grapiúna e da produção literária do interior baiano.Já Gustavo Felicíssimo, através da Editora Mondrongo�, vem construindo uma linha editorial moderna, sofisticada e profundamente conectada à literatura contemporânea produzida na Bahia.
A Mondrongo ganhou reconhecimento nacional ao publicar autores independentes, investir em novos formatos editoriais e aproximar literatura, crítica social e identidade regional.Juntos, Gasparetto e Gustavo representam duas vertentes complementares da produção literária sul-baiana: a preservação da memória cultural e a renovação contemporânea da literatura regional.
Enquanto o mercado editorial brasileiro se concentra nos grandes centros, o Sul da Bahia segue produzindo pensamento, narrativa e arte com personalidade própria.
É uma literatura marcada pelo cacau, pelas estradas antigas, pelas praias, pela Mata Atlântica, pelas migrações, pela política local, pelos conflitos agrários e pelas histórias humanas intensas que sempre caracterizaram a região.O Sul da Bahia não produziu apenas riqueza agrícola.
Produziu linguagem, imaginário e visão de mundo.
Talvez por isso a região continue revelando escritores, artistas e comunicadores de maneira tão singular.
Nomes como Fábio Lago, que rompeu fronteiras do interior para alcançar o cenário nacional, mostram que existe um potencial criativo enorme fora do eixo tradicional da cultura brasileira.A Bahia cultural é muito maior do que seus centros históricos e turísticos.
Existe uma Bahia literária viva entre livrarias independentes, pequenas editoras, cafés culturais e escritores que seguem produzindo quase por vocação.
E nomes como Agenor Gasparetto e Gustavo Felicíssimo ajudam a garantir que essa produção continue existindo — e sendo lida pelas próximas gerações.