O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, avançaram nas negociações para um acordo que prevê a redução gradual da jornada de trabalho no país. A proposta em discussão prevê diminuir em duas horas semanais a carga horária já em 2026, como primeiro passo para mudanças mais amplas no modelo da escala 6×1.
Segundo aliados do Palácio do Planalto e lideranças do Congresso, a ideia é construir um texto de consenso que tenha apoio do setor empresarial e das centrais sindicais. O objetivo do governo é evitar resistência econômica enquanto tenta responder à crescente pressão popular pelo fim da atual escala, considerada desgastante por trabalhadores de diversos setores.
A proposta em análise não extingue imediatamente a jornada 6×1, mas abre caminho para uma transição gradual. A redução inicial da carga horária serviria como etapa preparatória para futuras mudanças nas relações trabalhistas, incluindo novos formatos de descanso semanal e reorganização de turnos.
Nos bastidores, o governo avalia que o tema ganhou forte apelo social nos últimos meses, principalmente após mobilizações nas redes sociais e manifestações organizadas por trabalhadores do comércio, serviços e indústria. Parlamentares da base afirmam que há clima favorável para avançar com o debate ainda neste semestre.
Integrantes da equipe econômica defendem cautela para evitar impactos diretos na produtividade e nos custos das empresas. Já representantes sindicais pressionam por uma reforma mais ampla, com redução efetiva da jornada sem diminuição salarial.
A expectativa é que a proposta seja discutida em comissões da Câmara nas próximas semanas antes de seguir para votação em plenário. Lideranças governistas acreditam que o texto final poderá representar uma das principais pautas trabalhistas do terceiro mandato de Lula.