O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que sua administração pretende pressionar fabricantes a dividir algumas vacinas infantis em até cinco doses menores, aplicadas em intervalos de aproximadamente seis meses. Segundo Trump, a medida teria como objetivo reduzir significativamente os casos de autismo.
Durante um evento na Casa Branca, em 18 de setembro, Trump afirmou que as doses menores permitiriam que uma quantidade reduzida de vacina fosse introduzida no organismo das crianças. Ele, no entanto, não especificou quais vacinas seriam fracionadas nem apresentou estudos científicos que comprovem que essa estratégia reduziria casos de autismo.
A relação entre vacinação e autismo é rejeitada por um amplo conjunto de pesquisas científicas. Estudos realizados ao longo de décadas não encontraram evidências de que a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), por exemplo, cause autismo. Também não há evidências de que separar uma vacina combinada em aplicações individuais reduza o risco da condição.
O anúncio ocorre depois de Trump assinar, em agosto, uma ordem executiva que prevê mudanças nas recomendações de vacinação infantil dos Estados Unidos. O documento também determina que o governo desenvolva opções para administrar separadamente os componentes da vacina tríplice viral, embora atualmente não existam nos EUA vacinas individuais licenciadas para as três doenças.
Especialistas e organizações médicas contestaram as mudanças, afirmando que não há novas evidências científicas que justifiquem a alteração do esquema de vacinação com base em uma suposta prevenção do autismo. A discussão ocorre em meio a uma disputa mais ampla nos EUA sobre as recomendações federais para imunização infantil.