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Acordo UE–Mercosul: Parlamento Europeu aprova medidas de proteção mais rígidas para o agro

O Parlamento Europeu aprovou medidas mais rígidas para proteger o setor agrícola no acordo entre a União Europeia e o Mercosul. As novas regras reforçam mecanismos de salvaguarda e exigem padrões mais altos para produtos importados, buscando evitar prejuízos aos produtores europeus. A decisão reflete a pressão de agricultores e governos da UE e pode impor mais exigências aos países do Mercosul, tornando a ratificação do acordo mais cautelosa e sujeita a novos debates.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Parlamento Europeu aprovou um conjunto de medidas mais rigorosas de proteção ao setor agrícola no contexto do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A decisão ocorre em meio a forte pressão de agricultores europeus, que temem os impactos da abertura do mercado para produtos agropecuários sul-americanos.

As novas regras têm como objetivo reforçar mecanismos de defesa do agro europeu, criando barreiras mais rápidas e eficazes caso o aumento das importações cause prejuízos aos produtores locais. O tema se tornou um dos pontos mais sensíveis do acordo, negociado há mais de duas décadas.

Regras mais duras para proteger produtores europeus

Entre as principais mudanças aprovadas está o endurecimento dos chamados mecanismos de salvaguarda, que permitem à União Europeia suspender benefícios comerciais se for identificado impacto negativo no mercado interno. Com as novas medidas, a UE poderá agir de forma mais rápida diante de aumentos considerados excessivos nas importações de produtos agrícolas do Mercosul.

O Parlamento também avançou na defesa do princípio da reciprocidade, exigindo que produtos importados cumpram padrões semelhantes aos adotados pelos produtores europeus, especialmente nas áreas ambiental, sanitária e de bem-estar animal. A proposta busca evitar concorrência considerada desleal.

Pressão política e protestos no campo

A aprovação das medidas ocorre após meses de protestos de agricultores em diversos países da União Europeia. Produtores rurais argumentam que o acordo pode reduzir preços, afetar a renda do setor e expor o mercado europeu a produtos mais baratos, produzidos sob regras menos rigorosas.

Países como França, Itália e Polônia têm liderado a resistência, cobrando garantias adicionais antes da ratificação definitiva do tratado. Para esses governos, a proteção ao agro é uma questão estratégica e social, especialmente em regiões altamente dependentes da atividade rural.

Impactos para o Mercosul

Para os países do Mercosul, o endurecimento das regras pode significar mais exigências para exportar ao mercado europeu, principalmente em setores como carne bovina, frango, açúcar e soja. O acordo continua sendo visto como uma grande oportunidade comercial, mas as novas condições podem limitar parte dos ganhos esperados.

Especialistas avaliam que, apesar das barreiras adicionais, o tratado ainda representa um avanço na integração econômica entre os blocos, desde que haja adaptação às exigências impostas pela União Europeia.

Próximos passos do acordo

Mesmo com a aprovação das medidas pelo Parlamento Europeu, o acordo UE–Mercosul ainda precisa passar por etapas decisivas, incluindo negociações entre os países-membros da UE e a ratificação formal. O processo segue cercado de incertezas e pode sofrer novos atrasos.

O futuro do tratado dependerá do equilíbrio entre a abertura comercial e a proteção dos setores mais sensíveis, especialmente o agrícola. A decisão do Parlamento reforça que, para avançar, o acordo precisará atender às demandas políticas, econômicas e sociais dentro da União Europeia.

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