Nos últimos dez anos, os baianos enfrentaram uma das maiores altas no custo da energia elétrica já registradas no estado. A tarifa residencial subiu de forma contínua ao longo da década, impulsionada por reajustes anuais, mudanças no sistema energético nacional e períodos de crise hídrica. Para o consumidor comum, isso significou ver a conta de luz pesar cada vez mais no orçamento familiar — muitas vezes acima da inflação do período.
Entre 2015 e 2025, o preço do quilowatt-hora praticamente dobrou em algumas faixas de consumo. Mesmo em anos de crescimento econômico lento, os reajustes continuaram, em parte porque o setor elétrico brasileiro passou a operar com custos mais altos de geração. A dependência de usinas termelétricas, que são mais caras, e os encargos cobrados para manter o sistema funcionando contribuíram diretamente para o aumento da tarifa.
A escalada dos preços ao longo da década
No início do período analisado, a Bahia já registrava tarifas acima da média nacional, mas o impacto ficou mais forte a partir de 2017, quando os reajustes começaram a vir acompanhados de bandeiras tarifárias mais intensas. Em anos de seca prolongada, como 2020 e 2021, a cobrança extra por bandeira vermelha aumentou significativamente o valor final das contas, chegando a acrescentar valor mensal perceptível para quem consome acima de 150 kWh.
Entre 2020 e 2023, os consumidores baianos enfrentaram uma sequência de reajustes anuais médios que variaram entre 5% e 10%, dependendo da categoria de consumo. Em 2024 e 2025, mesmo com uma tentativa de estabilização, a energia elétrica continuou subindo, refletindo custos de transmissão, compra de energia e investimentos obrigatórios da distribuidora.
Por que a conta ficou tão cara?
A alta acumulada na Bahia é resultado de uma combinação de fatores:
• Reajustes anuais regulados, que repõem custos operacionais, investimento da distribuidora e variações de mercado.
• Crises hídricas, que elevaram o uso de termelétricas, uma das formas mais caras de gerar energia no Brasil.
• Bandeiras tarifárias, criadas para repassar ao consumidor os custos adicionais de geração em momentos críticos.
• Encargos e tributos, que representam parte significativa da composição da tarifa final.
• Atualização dos custos do setor elétrico, influenciados pela inflação e pelo dólar, que afetam a compra de equipamentos e contratos de energia.
Esses elementos, quando combinados, criaram um cenário em que a conta de luz subiu de forma contínua por toda a década.
Impactos no bolso do consumidor baiano
Para famílias de baixa renda, a elevação dos custos energéticos se tornou um desafio. Muitos passaram a adotar estratégias de economia, reduzir o uso de eletrodomésticos e até renegociar débitos. Pequenos comércios e empresas também sentiram o peso, especialmente setores que dependem de refrigeração e maquinário elétrico.
Já para a indústria instalada no estado, o custo da energia foi um fator que impactou a competitividade, elevando despesas e dificultando planejamento de longo prazo, especialmente em anos de preços mais pressionados.
Perspectivas para os próximos anos
A tendência é de que a tarifa continue subindo, mas em ritmo moderado, dependendo do nível dos reservatórios, da evolução das energias renováveis e das decisões regulatórias da Aneel. Na Bahia, onde a energia eólica e solar têm crescido de forma acelerada, há expectativa de que a expansão dessas fontes possa ajudar a reduzir pressões futuras, embora isso não signifique quedas imediatas nas contas.
O cenário dos últimos 10 anos deixa claro: a energia elétrica se tornou um dos itens mais pesados do orçamento baiano, e a busca por eficiência, uso consciente e diversificação da matriz será fundamental para evitar aumentos ainda mais expressivos no futuro.