O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que não irá assinar o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul nas condições atuais. A declaração foi feita durante encontros com líderes europeus e reforça a posição francesa de resistência a um pacto que está em negociação há mais de duas décadas. Segundo Macron, o texto ainda não oferece garantias suficientes para proteger setores estratégicos da economia europeia, especialmente a agricultura.
A principal crítica francesa é a falta de reciprocidade nas regras de produção. Macron argumenta que agricultores europeus seguem normas ambientais, sanitárias e trabalhistas rigorosas, enquanto produtos importados do Mercosul não estariam submetidos às mesmas exigências. Para o presidente francês, isso criaria concorrência desleal e colocaria em risco a segurança alimentar e a renda de produtores rurais da União Europeia. Ele defende a inclusão de cláusulas chamadas de “espelhamento”, que obriguem os países do Mercosul a cumprir padrões equivalentes aos europeus.
A posição da França ganha força em meio a protestos de agricultores em vários países do bloco, que pressionam governos a barrar o acordo. Além de Paris, nações como Itália, Polônia, Áustria e Irlanda também demonstram reservas, enquanto Alemanha, Espanha e outros países defendem a assinatura, alegando que o tratado é estratégico para ampliar exportações, fortalecer laços comerciais e reduzir a dependência europeia de outros mercados.
Do lado do Mercosul, a resistência francesa gera frustração, especialmente no Brasil, que vê o acordo como uma oportunidade de ampliar o acesso ao mercado europeu. Autoridades sul-americanas afirmam que o texto já contempla compromissos ambientais e que novas exigências podem inviabilizar o pacto. Com o impasse, cresce a possibilidade de adiamento da assinatura e até de abandono definitivo das negociações, caso não haja consenso entre os países da União Europeia nos próximos meses.