O presidente do Paraguai, Santiago Peña, confirmou que não participará da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, marcada para novembro de 2025, em Belém do Pará. A decisão representa um gesto político que reforça a aproximação ideológica de Peña com líderes como o argentino Javier Milei e o norte-americano Donald Trump, ambos críticos das políticas ambientais globais e das conferências da ONU sobre o tema.
🌎 O que é a COP30
A COP (Conferência das Partes) é o principal fórum internacional para discutir o combate às mudanças climáticas. Reúne representantes de quase 200 países, que buscam avançar em acordos para redução de emissões de gases do efeito estufa, transição energética e proteção ambiental.
A COP30, que será realizada em Belém (PA), será a primeira conferência climática global sediada na Amazônia, o que tem um forte valor simbólico e estratégico, já que a região é um dos maiores patrimônios ambientais do planeta e também uma das mais ameaçadas pela destruição florestal.
O evento é visto como uma oportunidade para o Brasil mostrar liderança internacional no debate climático, além de reforçar o papel da Amazônia na busca por um desenvolvimento sustentável.
Por que o Paraguai ficará de fora
Santiago Peña justificou sua ausência afirmando que o país “não pode seguir uma agenda climática imposta por organismos internacionais”. O presidente vem defendendo uma postura de soberania econômica e energética, ressaltando o papel do Paraguai como exportador de energia limpa por meio da usina de Itaipu, embora a maior parte da matriz produtiva do país ainda dependa de setores de alto impacto ambiental, como a agropecuária.
A decisão segue a linha de Javier Milei, presidente da Argentina, que também anunciou que não participará da COP30 e já criticou abertamente a agenda climática, classificando-a como “uma farsa socialista”. Donald Trump, nos Estados Unidos, também tem histórico de oposição a conferências do tipo, chegando a retirar o país do Acordo de Paris durante seu mandato.
⚖ Reações e impactos
A ausência do Paraguai foi recebida com críticas de ambientalistas e analistas políticos, que enxergam o gesto como um retrocesso diplomático em um momento crucial para o debate ambiental. Especialistas lembram que o país, apesar de pequeno, faz parte do bioma do Pantanal e da Bacia do Prata, áreas fortemente afetadas pela crise climática e pelo desmatamento.
O governo brasileiro, por outro lado, ainda não se pronunciou oficialmente sobre a ausência do país vizinho. Nos bastidores, diplomatas avaliam que a decisão de Peña reforça uma divisão ideológica crescente na América do Sul entre governos alinhados à pauta ambiental e aqueles mais próximos da agenda ultraliberal.
🌱 A importância da COP30
A conferência em Belém deve marcar um ponto de virada na diplomacia climática, com foco em garantir compromissos mais concretos para limitar o aquecimento global a 1,5°C, conforme o Acordo de Paris.
Além dos chefes de Estado, são esperados milhares de representantes de organizações ambientais, povos indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia, que pretendem levar suas vozes e reivindicações ao centro do debate mundial.
Com a ausência do Paraguai e possivelmente de outros governos alinhados ao discurso antiambiental, a COP30 também deverá revelar as tensões políticas que cercam a luta contra as mudanças climáticas no continente.