Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro tiveram um salto expressivo no 3º trimestre, com alta de 147% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço acende um alerta para a saúde financeira do setor, que enfrenta um cenário de custos elevados, juros altos e margens cada vez mais apertadas.
Entre julho e setembro, o volume de solicitações atingiu o maior patamar já registrado para o período, envolvendo produtores rurais pessoas físicas, empresas agrícolas e prestadores de serviços da cadeia do agro. O movimento mostra que as dificuldades não estão restritas a um único elo, mas se espalham por toda a estrutura produtiva.
Apesar de safras robustas em algumas culturas, muitos produtores têm sofrido com a combinação de queda nos preços das commodities, endividamento acumulado e dificuldade de acesso a crédito em condições sustentáveis. A recuperação judicial surge, nesse contexto, como uma alternativa para reorganizar dívidas, renegociar prazos e tentar manter as operações.
Especialistas avaliam que, sem ajustes no custo financeiro e maior previsibilidade de mercado, o número de pedidos pode continuar elevado nos próximos trimestres, impactando investimentos, empregos e a dinâmica do agronegócio nacional.