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Por que o feminismo incomoda mais do que o feminicídio?

O feminismo incomoda mais do que o feminicídio porque desafia privilégios e questiona a estrutura machista que muitos preferem manter intacta. A morte de mulheres gera comoção passageira, mas a voz delas gera resistência real. Feminicídio não ameaça a ordem, o feminismo sim. No fim, a sociedade reage mais à mulher que reivindica direitos do que à violência que tira sua vida.
Foto: Freepik

Quando uma mulher é assassinada por ser mulher, muita gente finge surpresa, faz um post genérico, posta um “meu Deus, onde vamos parar?” e, em dois dias, a vida segue normalmente. Mas quando uma mulher levanta a voz, exige direitos, expõe desigualdades ou questiona privilégios, aí sim nasce uma comoção real, não para apoiar, mas para silenciar. E isso revela algo profundo e incômodo: para parte da sociedade, a morte de mulheres é menos perturbadora do que sua liberdade.

  1. Feminicídio não ameaça estruturas, o feminismo sim

A violência extrema contra mulheres acontece dentro da lógica do machismo. Não desafia a ordem; ela faz parte dela. Muitos preferem acreditar que é “caso isolado” ou “monstro”, porque admitir que é estrutural seria reconhecer responsabilidade coletiva.

Já o feminismo é insuportável para quem se beneficia dessa estrutura. Porque ele aponta o dedo para aquilo que muitos fingiram não ver por décadas:
• salários menores,
• carga mental invisível,
• violência cotidiana,
• desigualdade em casa,
• vida controlada, podada ou monitorada.

O feminismo incomoda porque expõe a engrenagem que mantém muita gente confortável.

2. “Feminismo radicaliza”, mas a violência de gênero não?”

É curioso como a sociedade tem mais medo do termo “feminismo” do que das estatísticas. A palavra feminismo desperta resistência, piada, raiva, ironia. Já o feminicídio desperta… passividade.

Por quê?

Porque feminicídio pede empatia. Feminismo pede autocrítica.
E autocrítica dói mais do que a realidade dos números.

Enquanto milhões discutem se “feminismo não é exagero”, mulheres morrem diariamente. E morrer, para muitas, virou rotina. Mas questionar privilégios? Aí vira afronta.

  1. O silêncio sobre a violência sempre foi conveniente

O feminicídio é o extremo de um ciclo de controle. E controle, para uma sociedade machista, não é um problema, é um hábito. A indignação coletiva só aparece quando o tema vira manchete, e mesmo assim dura pouco.

O feminismo, por outro lado, tira o véu do silêncio.
Ele faz barulho.
Ele muda comportamentos.
Ele redistribui poder.

E poder, quando redistribuído, assusta.

Por isso tanta gente prefere atacar o feminismo do que enfrentar a realidade brutal: não é o movimento que ameaça a ordem. É a ordem que ameaça as mulheres.

  1. A verdade incômoda

O feminismo incomoda porque mulheres vivas, livres e conscientes incomodam mais do que mulheres mortas.

Mulheres mortas não falam, não reinvindicam, não denunciam.
Mulheres vivas, sim.

E enquanto parte da sociedade continuar mais irritada com mulheres lutando por direitos do que com homens tirando suas vidas, teremos a prova de que o problema nunca foi o feminismo, foi sempre o machismo.

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