Um relatório elaborado por um comitê do Congresso dos Estados Unidos apontou preocupações sobre a atuação de empresas e instituições ligadas à China em território brasileiro. Segundo o documento, algumas instalações oficialmente voltadas para fins civis e científicos poderiam ter potencial de uso militar ou estratégico, especialmente na área de monitoramento espacial e coleta de dados sensíveis.
Entre os locais citados está uma estação terrestre localizada em Salvador, vinculada a parcerias entre empresas brasileiras e companhias chinesas do setor aeroespacial. O relatório afirma que estruturas desse tipo, embora apresentadas como parte de cooperação tecnológica, poderiam ser utilizadas para rastreamento de satélites, observação espacial e monitoramento de ativos estratégicos, capacidades consideradas sensíveis do ponto de vista militar.
O documento também menciona a existência de projetos conjuntos em outras regiões do país, como instalações de pesquisa e radioastronomia no Nordeste, desenvolvidas em parceria com universidades e instituições chinesas. Na avaliação dos autores do relatório, tecnologias de uso dual civil e militar ampliariam a capacidade estratégica de Pequim na América Latina, levantando questionamentos sobre segurança regional e influência geopolítica.
Especialistas destacam que o relatório reflete a crescente disputa entre Estados Unidos e China por influência tecnológica e estratégica no hemisfério ocidental. Até o momento, autoridades brasileiras reforçam que as parcerias firmadas seguem a legislação nacional e têm caráter científico e comercial. O debate, no entanto, reacende discussões sobre soberania, transparência e os limites da cooperação internacional em áreas consideradas estratégicas.