O ministro do Turismo, Celso Sabino, tem enfrentado resistência de lideranças do União Brasil para continuar no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora tenha sinalizado em 26 de setembro sua intenção de deixar o cargo após reunião com Lula, Sabino segue atuando na Esplanada dos Ministérios.
Integrantes do União Brasil ouvidos pela CNN Brasil avaliam que Sabino busca prolongar sua permanência no governo, utilizando todos os prazos possíveis para defesa. A expectativa é por uma saída “lenta e gradual”, com foco na realização da COP30, evento que ocorrerá em Belém, no Pará, no próximo mês.
O ministro tem acompanhado o presidente em agendas relacionadas à COP30 no Pará, afirmando que “nada, nenhum partido político, cargo ou ambição pessoal vai me afastar desse povo que eu amo e do estado do Pará”.
Desde que o União Brasil se federou ao PP, o partido decidiu se afastar do governo Lula, com a entrega de cargos. Sabino é o único filiado à sigla no primeiro escalão da Esplanada dos Ministérios. Em 18 de setembro, o União Brasil estabeleceu um prazo de 24 horas para que seus filiados nomeados para cargos no governo deixassem os postos, “sob pena de prática de ato de infidelidade partidária”.
Uma semana depois, Sabino anunciou a entrega do cargo, mas a saída nunca se concretizou. Diante da resistência, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que a Executiva Nacional do União Brasil se reunirá na próxima quarta-feira (8) para decidir sobre a possível expulsão de Sabino por “reiterada infidelidade partidária”.
O relator do processo interno contra Sabino na sigla, deputado Fábio Schiochet, deve apresentar um parecer na reunião de quarta-feira, aguardando a defesa prévia de Sabino até esta segunda-feira (6).
Há na bancada do União Brasil na Câmara dos Deputados uma ala que apoia Sabino e o governo Lula. Parte dos deputados avalia que Sabino tem desempenhado um bom trabalho à frente do Ministério do Turismo, melhorando o setor no país e merecendo colher os frutos da COP30 em seu estado.