A tuberculose, uma das doenças infecciosas mais antigas da humanidade, voltou ao centro das preocupações globais após registrar aumento significativo de casos nos últimos anos. Mesmo sendo tratável e prevenível, a doença ainda causa milhões de infecções e mortes, especialmente em países em desenvolvimento.
Uma doença histórica que nunca desapareceu
Conhecida no passado como “peste branca”, a tuberculose acompanhou a humanidade por séculos e foi uma das principais causas de morte até o início do século XX. A redução dos casos começou com o avanço dos antibióticos, a vacinação com BCG e melhorias nas condições sanitárias.
No entanto, a partir da década de 1990, a doença voltou a crescer em diversas regiões do mundo, impulsionada por fatores como o aumento da pobreza, a disseminação do HIV e o surgimento de bactérias resistentes, conforme apontam estudos históricos da área de saúde pública.
Pandemia mascarou a real situação da doença
Durante a pandemia de COVID-19, entre 2020 e 2021, houve uma queda aparente nos casos de tuberculose. Porém, especialistas alertam que essa redução não refletiu a realidade.
Relatórios internacionais de saúde, como os analisados por veículos como o jornal francês Le Monde, indicam que milhões de casos deixaram de ser diagnosticados nesse período. Isso ocorreu porque:
• hospitais estavam sobrecarregados
• exames foram interrompidos
• pacientes deixaram de procurar atendimento
Dados globais mostram que o número de diagnósticos caiu para cerca de 5,8 milhões em 2020, evidenciando uma forte subnotificação.
Aumento em 2023 revela “efeito represado”
Com a retomada dos serviços de saúde após a pandemia, os números voltaram a crescer rapidamente. Segundo análises divulgadas pela imprensa internacional, como o jornal El País, o mundo registrou cerca de 10,8 milhões de casos de tuberculose em 2023, com aproximadamente 1,25 milhão de mortes.
Especialistas explicam que esse aumento não representa apenas uma piora da doença, mas também a identificação de casos que ficaram ocultos durante a pandemia.
Esse fenômeno é chamado de demanda reprimida, quando pacientes que não foram diagnosticados anteriormente passam a aparecer nas estatísticas de forma concentrada.
Impacto global e retomada da preocupação
O crescimento recente não se restringe a países pobres. Dados recentes mostram aumento de casos até em países desenvolvidos, após décadas de queda contínua, como destacado em análises internacionais.
Com isso, a tuberculose voltou a ocupar o posto de doença infecciosa que mais mata no mundo, superando novamente a COVID-19, segundo levantamentos divulgados pela mídia internacional com base em dados de organismos de saúde.
O que os dados realmente mostram
A evolução recente da tuberculose pode ser resumida em três momentos:
• Antes da pandemia: queda gradual e controle relativo
• Durante a pandemia: subnotificação e colapso dos diagnósticos
• Após a pandemia: aumento dos casos detectados e correção dos dados
Ou seja, a doença não desapareceu, ela apenas deixou de ser registrada temporariamente.
Conclusão
O avanço recente da tuberculose expõe um efeito colateral silencioso da pandemia: o enfraquecimento dos sistemas de diagnóstico e acompanhamento de outras doenças.
Mais do que um problema médico, a tuberculose segue sendo um reflexo direto das desigualdades sociais, exigindo políticas públicas, investimento em saúde e ampliação do acesso ao tratamento.