O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi intimado pela Polícia Federal (PF), nesta segunda-feira (26), a entregar seus passaportes e está proibido de deixar o território brasileiro. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um dia após a derrota do parlamentar para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
A determinação estabelece um prazo de 24 horas para o cumprimento da ordem e também impede Flávio de manter contato com o advogado Willer Tomaz. Os dois são investigados em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O processo tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, e a adoção das medidas cautelares não representa uma condenação.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio relatou que foi abordado por agentes da Polícia Federal quando deixava a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. O senador criticou a atuação da corporação e afirmou que a decisão teria sido motivada por declarações de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que sugeriu publicamente que ele deixasse o Brasil caso fosse derrotado nas eleições.
O parlamentar negou qualquer intenção de sair do país e classificou a determinação judicial como uma tentativa de intimidação. Apesar das críticas, afirmou que cumprirá a ordem de entrega dos documentos e buscará contestar a decisão pelos meios legais. A investigação também envolve suspeitas de movimentações financeiras relacionadas ao advogado Willer Tomaz, embora as responsabilidades individuais ainda estejam sendo apuradas.
O episódio ocorre em um momento de tensão política após o resultado das eleições presidenciais. Flávio Bolsonaro, que recebeu 48,21% dos votos válidos contra 51,79% de Lula, também anunciou que pretende questionar judicialmente a eleição, alegando supostas irregularidades durante a votação. As acusações eleitorais e as investigações financeiras são questões distintas, e a restrição de viagem permanecerá sujeita às decisões do Supremo Tribunal Federal.