Doze entidades médicas e científicas solicitaram à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a proibição dos implantes hormonais manipulados no Brasil, conhecidos popularmente como “chips da beleza”. O pedido foi formalizado em uma carta divulgada nesta quinta-feira (1º), durante o 20º Congresso Mundial de Menopausa, no Rio de Janeiro.
As entidades afirmam que esses produtos, que podem conter substâncias como testosterona, gestrinona e estradiol, são utilizados para diferentes finalidades, incluindo sintomas da menopausa, emagrecimento, ganho de massa muscular, aumento da disposição, desempenho físico e antienvelhecimento. Segundo o documento, faltam estudos clínicos de qualidade que comprovem a eficácia e a segurança dessas formulações para essas finalidades.
Outro ponto destacado é a dificuldade de interromper rapidamente a exposição aos hormônios. Como os implantes permanecem liberando substâncias durante meses, eventuais concentrações elevadas ou efeitos adversos não podem ser controlados da mesma maneira que ocorre com medicamentos cuja dose pode ser ajustada ou suspensa. As entidades também citam possíveis riscos cardiovasculares, hepáticos, metabólicos, tromboembólicos e relacionados a acidente vascular cerebral.
A Anvisa já possui restrições para esses produtos. Desde 2024, a agência proíbe a comercialização e o uso de implantes hormonais manipulados à base de esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos para fins estéticos, ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo, além de proibir a publicidade desses implantes ao público em geral.
Na nova carta, as sociedades pedem medidas ainda mais amplas, incluindo a proibição da manipulação, formação de estoques, comercialização, distribuição, publicidade e uso dos implantes hormonais manipulados no país. As entidades ressaltam, porém, que o posicionamento não é contrário à terapia hormonal feita com medicamentos registrados, estudados e monitorados.