O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista nesta terça-feira (8) no julgamento que analisa o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Com a medida, a análise do caso pela Segunda Turma foi interrompida. O colegiado já havia formado maioria para manter a decisão do ministro André Mendonça.
Gilmar defende que o caso seja levado ao plenário do STF, permitindo que todos os ministros participem da decisão. Para ele, a gravidade institucional do episódio e os conflitos envolvendo integrantes da Corte justificam uma análise mais ampla do processo.
O ministro também demonstrou preocupação com os possíveis efeitos da decisão sobre as eleições de 2026. A avaliação é de que mudanças na cúpula da Polícia Federal, especialmente às vésperas do processo eleitoral, podem produzir consequências relevantes para o equilíbrio institucional e político do país.
Apesar do pedido de vista, o afastamento determinado por André Mendonça continua em vigor. Andrei Rodrigues permanece fora do comando da PF, assim como o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. William Murad, então diretor-executivo da corporação, assumiu interinamente a direção da Polícia Federal.
O afastamento foi determinado por Mendonça após o ministro questionar a produção e utilização de relatórios de inteligência da PF que tratavam de sua atuação e de outros integrantes do Judiciário e do governo. O episódio ampliou a crise interna no STF e provocou novas discussões sobre os limites da atuação da Polícia Federal e do próprio Supremo.