A decisão da Câmara Municipal de Salvador de conceder o Título de Cidadão Soteropolitano ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) provocou uma onda de críticas e mobilizações na capital baiana. Um abaixo-assinado criado na internet pede a revogação da homenagem e já ultrapassou a marca de 140 mil assinaturas em pouco mais de 24 horas, transformando a decisão em um dos assuntos mais discutidos no cenário político local.
A mobilização questiona os critérios utilizados para conceder a honraria ao parlamentar. Segundo os organizadores, Flávio Bolsonaro não possui um histórico de contribuições diretas suficientemente relevantes para Salvador que justifique o reconhecimento. O documento também critica posicionamentos políticos do senador e argumenta que a homenagem não representa os valores defendidos por parte da população soteropolitana.
A concessão do título foi formalizada pela Resolução nº 3.592/2026. A Câmara Municipal informou que a homenagem reconhece a atuação pública do senador, especialmente em temas relacionados à segurança pública, à economia e ao fortalecimento institucional. O vereador Cezar Leite (PL), responsável pela entrega, defendeu a iniciativa, enquanto parlamentares da oposição classificaram a decisão como inadequada e questionaram a ausência de serviços diretamente prestados à cidade.
A polêmica ganhou ainda mais repercussão porque a cerimônia está prevista para acontecer no sábado (17), às 15h, no Farol da Barra, durante um evento político com a presença de Flávio Bolsonaro. Para viabilizar a entrega, a Câmara aprovou a transferência temporária de sua sede para o local. Além da mobilização digital, uma ação popular foi apresentada à Justiça solicitando a suspensão da homenagem, sob alegações de irregularidades no procedimento e possível uso político da estrutura pública.
O episódio reacende o debate sobre os critérios para a concessão de títulos honoríficos e os limites entre reconhecimento institucional e interesses políticos. Enquanto apoiadores defendem a homenagem como legítima, críticos cobram sua anulação. Até o momento das informações divulgadas, não havia confirmação de revogação do título, e a mobilização popular continuava pressionando o Legislativo municipal.