A morte de Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, voltou ao centro da disputa presidencial após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusar Flávio Bolsonaro (PL) de ser “cúmplice” do assassinato da criança. A declaração foi feita na quinta-feira (22), durante uma transmissão ao vivo com o deputado federal André Janones (Rede-MG), poucos dias antes do segundo turno das eleições.
Durante a conversa, Lula criticou a participação do adversário na defesa jurídica do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de efetuar o disparo que matou Ana Clara em fevereiro de 2021, em Niterói, no Rio de Janeiro. O presidente também afirmou que Flávio teria atuado para dificultar a responsabilização do agente e questionou a conduta do senador diante da gravidade do caso.
Ana Clara morreu após ser atingida por um tiro de fuzil enquanto brincava na porta de casa, na comunidade Monan Pequeno. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, o disparo teria partido da arma do policial durante uma operação. O agente foi denunciado por homicídio e passou a responder ao processo judicial. A defesa contesta a acusação, e o policial ainda não recebeu condenação definitiva.
A participação de Flávio Bolsonaro no caso ocorreu na esfera jurídica. O senador integrou a equipe de advogados do policial e esteve vinculado a um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2024, que buscava impedir o julgamento pelo Tribunal do Júri. O pedido foi rejeitado. Ao ser confrontado por Lula durante o debate da Band, no domingo (18), Flávio afirmou que o exercício da advocacia não pode ser criminalizado e criticou o presidente por tratar o acusado como culpado antes do julgamento.
A nova declaração intensifica o confronto entre os candidatos na reta final da eleição. Enquanto Lula utiliza o episódio para questionar a atuação do adversário, Flávio sustenta que sua participação ocorreu dentro dos limites legais do direito de defesa. Não há comprovação judicial de que o senador tenha participado da morte da criança ou cometido crime ao atuar como advogado. O caso também reacende discussões sobre violência policial, responsabilização de agentes públicos e o uso de processos judiciais no debate eleitoral.